Na mira da moda

Na mira da moda Por Vera Fiori São Paulo, 20 (AE) - Imagine só que saia justa. Seus amigos ou parentes, cansados de chamar sua atenção para os modelitos bregas que você ostenta com tanto orgulho, pedem socorro ao implacável Esquadrão da Moda, reality show que vai ao ar todas as terças-feiras à noite no SBT.

Agência Estado |

A fashion victim indicada (e que também pode ser escolhida por olheiros da produção) é filmada às escondidas por duas semanas, até ser abordada pelos apresentadores Isabella Fiorentino e Arlindo Grund.

O fator surpresa, conta a dupla, é condição para participar do "antes e depois": "Teve casos em que a pessoa percebeu que estava sendo filmada e não entrou no programa", revela a dupla, que se diverte com as situações. "A gente, às vezes, até extrapola e se esquece que é uma gravação", falam os dois, que, bem à vontade no vídeo, divertem-se com a cumplicidade e competição de farpas.

No primeiro episódio, uma advogada, que trabalha na região da avenida Paulista, em São Paulo, está num café com as amigas e, conforme vai folheando o cardápio, encontra fotos suas com críticas ácidas sobre o seu figurino - como um vestido de oncinha com penas, uma overdose de bichos num mesmo look, segundo os apresentadores:

- Mas a abordagem mais engraçada foi a de Juliana, de Piracicaba, indicada por amigos constrangidos com o visual "piriguete" da moça, cheio de brilhos, botas brancas , saias que pareciam toalhas de rosto e tops do tamanho de uma faixa de cabelo. Pegamos um megafone como aqueles dos vendedores de pamonhas e disparamos: "cafona, cafona de Piracicaba!"

Passado o susto, algumas choram, outras levam na esportiva ou até ficam sem reação. Mas todas acabam topando ir ao programa. Afinal, pelo mico exibido em rede nacional, a cafona da vez ganha um guarda-roupa novo em folha no valor de R$ 10 mil. A sortuda também muda o look pelas mãos do cabeleireiro Rodrigo Cintra (Studio W) e da maquiadora Vanessa Rozan.

Arlindo e Isabella têm carta branca para escolher as lojas onde a participante fará suas compras, que tanto pode ser uma da badalada rua Oscar Freire como um magazine. A empreitada não é fácil: "No total, são 12 ou mais looks que ela experimenta, de estilos casual, trabalho e noite", explicam.

Depois de passar pelo teste cruel do conjunto de espelhos de 360 graus - onde os dois detonam os erros mais gritantes do antigo visual -, vive outro momento de tensão: a cena em que as roupas vão para o lixo. "Na verdade fazemos uma avaliação prévia do guarda-roupa, selecionamos as peças usáveis e confiscamos as piores. Algumas mulheres relutam até o final do programa, mas isso é bacana, porque a graça está na resistência das que se acham o máximo", fala Arlindo.

AULAS DE MODA
A participante recebe uma orientação de acordo com o seu tipo físico e estilo de vida - mérito do programa, já que serve de espelho para a audiência -, e vai às compras primeiro sozinha. Depois, a dupla acompanha pessoalmente a troca de roupas. E, finalmente, o programa termina com um desfile dos looks, trazendo informações sobre lojas e preços.

Beleza é fundamental, já dizia o poeta. Depois do shopping, é a vez de mudar o cabelo com Rodrigo Cintra, que comemora a audiência do programa toda vez que pinta na telinha. "Comecei com 2 minutos e, hoje, o quadro chega a 10, 11 minutos, dependendo da transformação. Faço tintura, alongamento, tudo o que for necessário, mas o clímax é o momento do corte. Tanto que elas ficam de costas para o espelho." Antes da mudança, ele recebe da produção uma foto da candidata por e-mail, quando estuda o formato do rosto, pele, cor e comprimento do cabelo. Mas nem todas curtem o novo look. Foi o caso de uma garota, que relutou muito para escurecer o tom do cabelo. "Incrível, mas ela achava lindo aquele loiro branco igual ao da Barbie ou da Carla Perez no começo da carreira."

Segundo o diretor Aldrin Mazzei, o programa, que prima pelas alfinetadas, humor escrachado e dicas práticas de moda, segue a versão americana de "What Not to Wear", do canal Discovery Home & Health, e não a inglesa, exibida pela BBC:

- As apresentadoras inglesas são mais ácidas e herméticas nas análises. Não vão fundo nas explicações das dicas. Já a versão americana, comandada por um casal, é bem mais engraçada e com linguagem próxima a dos brasileiros. O ponto alto é, sem cair no assistencialismo, ajudar a pessoa a achar o seu estilo e lhe dar incentivos para mantê-lo, levando em conta a idade, atividade, tipo de festas que vai. São mulheres consumistas, porém infelizes na escolha. A audiência do Esquadrão, que abrange todas as classes, deve-se ao conceito de que qualquer um pode melhorar a aparência, adaptando as dicas para o seu orçamento.

CINDERELAS
"10 Anos mais Jovem", que vai ao ar todas as sextas à noite, também no SBT, é uma versão de 10 Years Younger, criado em 2004 pela inglesa Channel 4. Como diz o nome, o que conta não é a beleza, mas a aparência envelhecida da pessoa. Cabe aos especialistas fixos do programa - como dentista, dermatologista, personal stylist, maquiador e visagista - dar uma guinada no visual e, assim, recuperar a autoestima da participante.

A inscrição das candidatas é feita pela internet, mas também os olheiros da produção entram em campo, em busca de boas histórias. A primeira etapa é colocar a participante em uma cabine de vidro, onde é avaliada por pedestres na rua. A apresentadora Ligia Mendes mostra, então, uma gravação com os depoimentos desfavoráveis sobre a participante.

Ao final, depois de passar por vários tratamentos, ela retorna à cabine, quando recebe elogios do público, amigos e familiares. Mulheres maduras são a grande maioria, mas, segundo o diretor do programa, Ricardo Perez, teve um caso em que a participante tinha 26 anos e aparentava 42.

Mulheres de diferentes níveis sociais participam, cada qual com sua história de vida. "Um caso que marcou bastante a equipe foi a de uma moça que tinha orelhas de abano. Mesmo passando por uma cirurgia de correção, guardava muita mágoa dos apelidos e brincadeiras. Assim, além da correção estética, uma psicóloga usou a luta de boxe como forma de ela desabafar. Soube que ficou bem e está noiva."

Denise Pereira, 40 anos, recepcionista, foi inscrita pelo filho de 9 anos no programa. As pessoas que a viram dentro da cabine na rua lhe deram uns oito anos a mais. "Tudo bem que estava fora de forma, mas as pessoas detonam você sem dó nem piedade, me senti um ET."

Segundo Denise, a oportunidade não poderia vir em melhor hora: "Tinha perdido a minha mãe e havia terminado um relacionamento, do qual recebia apenas migalhas. Em função dessas perdas, minha autoestima estava lá embaixo. Por conta disso, me larguei", conta. Começou, então, uma maratona.

Durante um mês, foi orientada por uma nutricionista e um personal trainer, quando perdeu cerca de seis quilos. Mas o maior impacto foi no consultório da dermatologista Gabriela Casabona, onde se submeteu a um peeling, preenchimentos nos lábios e nos vincos ao redor da boca, e aplicação de botox. "Não tinha ideia de como ficaria. Quando me vi no espelho, confesso que me assustei. Mas, passados alguns dias, fiquei feliz com a pele nova e rosada."

Não menos impactante foi a transformação do sorriso, a cargo do dentista Leo Tominaga. Sobre a experiência, conta que virou a página: "Além da transformação externa, mudei por dentro, seguindo a orientação de uma psicóloga, que participou do programa." Fortalecida, conquistou um novo emprego e vai cursar faculdade de Farmácia, um antigo sonho.

TRATAMENTO VIP
A dermatologista Gabriela Casabona faz malabarismos para deixar as participantes dez anos mais jovens em apenas uma semana:

- É um desafio. Alguns atendimentos feitos ao longo do programa foram bem complexos, como os casos em que havia alguma alteração na estrutura da pele, osso e gordura, situação vivida pela participante Conceição, por exemplo. Esses tratamentos são os mais trabalhosos, tanto em números de sessões como na quantidade de substâncias utilizadas.

Só para se ter uma ideia, a participante teria de desembolsar entre R$ 6 mil e R$ 25 mil para ficar dez anos mais jovem. Como tudo é gravado ao vivo e em cores, as reações vão do espanto ao humor, quando algumas exclamam que eram melhores antes do que depois.

"Ao se verem no espelho, logo após o peeling, laser ou preenchimento, quase morrem de susto com o inchaço, vermelhidão e hematomas, marcas que desaparecem em alguns dias", fala Gabriela, que aponta como problemas comuns das gatas borralheiras o fotoenvelhecimento, que piora quando é associado ao fumo.

Os casos que o dentista Léo Tominaga solucionou não foram menos complexos. "Os mais sérios foram aqueles em que as pessoas abandonaram, por muito tempo, os cuidados, somando-se a perdas dentária e óssea, prejuízo da função dos lábios, da fonética e da estética", diz o especialista, que estima em R$ 5 mil a R$ 50 mil os valores dos tratamentos.

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