Na chegada ao Rio, turistas usam repelente para evitar dengue

Por Pedro Fonseca RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto o serviço de som do aeroporto internacional do Rio de Janeiro alertava em português que com a dengue, todo cuidado é pouco, turistas estrangeiros que desembarcaram na cidade nesta quinta-feira demonstraram preocupação com a doença que já matou 67 pessoas no Estado neste ano.

Reuters |

Apesar de não ter recebido o alerta feito pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil sobre os riscos da doença, um grupo de turistas de Nova York chegou ao Rio preparado para enfrentar a epidemia. Somente na capital, mais de 36 mil casos já foram registrados oficialmente, 44 deles resultando em mortes.

'Soube do problema através de amigos que moram aqui, inclusive trouxe repelente porque me disseram que estava em falta nas farmácias', disse à Reuters o norte-americano Scott William, que passará uma semana na cidade.

Mesmo sem entender o aviso brasileiro sobre como prevenir a doença, William demonstrou conhecer os hábitos do mosquito 'Aedes aegypti'.

'O mosquito voa baixo e só pica de manhã. Passando repelente, não vejo nenhum problema. Acredito que os casos estejam acontecendo mais nas favelas, certo?', disse ele.

O conhecimento de William foi acompanhado com certa preocupação por seu amigo Michael Green, que esboçou reação de espanto ao saber que quase 70 pessoas morreram de dengue no Estado em três meses.

Green disse que tomou conhecimento da doença pela imprensa nos EUA, mas não imaginava que seria algo tão sério. A falta de repelentes citada pelo companheiro de viagem foi motivo de preocupação.

'Realmente não sabia que era algo tão grave. Mark, você pode me emprestar seu repelente?', pediu a William, sendo atendido ainda no aeroporto e espalhando repelente nas pernas.

No fim de março, a embaixada dos EUA em Brasília emitiu um comunicado alertando os cidadãos norte-americanos sobre o aumento de casos de dengue no Rio e dando dicas de como se prevenir.

A falta de leitos nos hospitais para atender à população vítima da doença rompeu a fronteira sul do Brasil. Uma família argentina que também desembarcou nesta manhã demonstrou maior inquietação pelo sofrimento dos doentes do que com o risco de ser contaminada.

O empresário Pablo Sánchez, de 57 anos, que estava acompanhado da mulher e do filho, disse que sabia da epidemia e não pensou em tomar nenhuma medida de precaução. Segundo ele, 'pode ser' que ele procure comprar repelentes.

'Vimos pela televisão que os hospitais estão lotados de pessoas. Isso é muito triste, as pessoas precisam ser tratadas.

Espero que tudo fique bem para elas', afirmou ele, que além do Rio vai viajar para Búzios, cidade onde também há registro de casos de dengue.

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