Músicos brasileiros e africanos unem três continentes em Lisboa

LISBOA ¿ Ritmos brasileiros e africanos se unem na capital portuguesa, onde emergem excitantes estilos que fundem a cultura musical de três continentes, com grupos como Mick Mengucci & Misturapura, Terrakota e Duonde.

EFE |

Da vitalidade do Brasil e do exotismo da África surge um renovador mix sonoro, no qual o samba e a percussão africana são a base rítmica, mas o reggae e funk também têm seu espaço.

Lisboa aglutina raízes culturais de países como Brasil, Angola e Cabo Verde ¿ todos ex-colônias portuguesas ¿ e, do reflexo desta singular convivência, que une Europa, América e África, nascem projetos musicais com traços dos três continentes.

"Ao samba, que já é um estilo muito africano, juntamos os instrumentos de percussão da África negra lusófona, provenientes de Angola e Cabo Verde", disse Mick Mengucci, um italiano estabelecido em Lisboa há mais de 10 anos e líder do Misturapura.

Mengucci diz que as ruas de Lisboa são um caldeirão cultural propício ao surgimento de novas propostas criativas, onde as rodas espontâneas de músicos são comuns à noite.

"Os brasileiros começaram a tocar na rua e ali se juntaram à influência rítmica da África", conta o cantor e guitarrista, que destaca o bairro Alto Lisboeta, que reúne milhares de jovens a cada fim de semana, como um dos pontos de origem do movimento "afrobrasileiro".

O triângulo (chamado de "ferrinho" em Portugal), a conga e o pandeiro são instrumentos de percussão angolanos e cabo-verdianos que acompanham o violão, a bateria e o baixo na criação de um som audaz que entusiasma além das fronteiras portuguesas.

Assim, Mick Mengucci & Misturapura tocaram em diversos países europeus, mas se preparam para lançar seu novo trabalho em Lisboa, no dia 19 de março, na casa de shows Onda Jazz, localizada no histórico bairro da Alfama.

O grupo, que conta com músicos brasileiros e angolanos, solta milhares de watts de energia em suas apresentações, nas quais chama o público para dançar e improvisa canções em português, inglês ou italiano.

Outra banda fundamental na cena multicultural de Lisboa é o Terrakota, uma das precursoras do som mestiço luso, cuja sonoridade provém de origens variadas, como a África negra, a Índia, o Caribe e o Oriente Médio.

O lema "tudo misturado" é o cartão de apresentação dos oito músicos do grupo, naturais dos mais diversos pontos do planeta e liderados pela vocalista angolana Romi Anauel, seu elemento mais carismático.

Com três discos gravados, a banda atualmente prepara uma turnê que a levará a Espanha, Alemanha, Itália e Grécia, entre outros países.

Entre os projetos mais recentes, se destaca o Duonde, formado pela cantora cabo-verdiana Celina Piedade e o próprio Mengucci, que faz um som mais pausado e intimista, próximo à bossa nova e que já conseguiu algum reconhecimento na França.

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