Música mineira atual se apresenta no Ibirapuera

Já faz um bom tempo que a moderna música de Belo Horizonte reflete uma outra cidade, muito além da referência do Clube da Esquina. Há um núcleo criativo de compositores, bandas, intérpretes e produtores em intensa atividade, que, mesmo não configurando um movimento, se assemelha à geração de Milton Nascimento e seus parceiros na sofisticação sonora e/ou na reciprocidade de idéias peculiares e realizações.

Agência Estado |

Três desses expoentes, Kristoff Silva (36 anos), Érika Machado (29) e Elisa Paraíso (32), se encontram de hoje a domingo no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, dentro do projeto Minas Contemporânea.

O que os nivela, no entanto, não é a semelhança. "Você só consegue ter uma idéia da Minas contemporânea, atual, compondo um quadro de diferenças. Não procurando exatamente a semelhança. Não é a única coisa que integra os artistas. Acho que o próprio contraste e a complementaridade é uma maneira de você entender uma cena", diz Kristoff. Com extremo cuidado em relação ao significado e à sonoridade das palavras - ponto de partida para suas composições -, ele considera que, de certa forma, se situa entre a sofisticação harmônica da música de Elisa e a linguagem pop - mas não menos elaborada -, visual, eletrônica e lúdica de Érika, que vem das artes plásticas.

"Acho que a gente está mostrando uma compilação de três vertentes do que vem acontecendo na música de Minas", diz Elisa. "Meu trabalho é muito pautado na instrumentação acústica. Não há como negar a influência do Clube da Esquina porque faz parte da nossa vida. É uma coisa maravilhosa que aconteceu e é importante para a música do mundo, não só do Brasil. Mas a visão que as pessoas têm de fora é que parou ali. Só que estão surgindo linguagens novas, com muita gente fazendo música, cada um no seu estilo", aponta. Para ela, o projeto Minas Contemporânea é a oportunidade de mostrar "que a história está caminhando".

Érika diz que vê as coisas de uma forma "um pouco mais simples" do que Kristoff. "Vejo a gente da mesma geração, vivendo na mesma cidade, na mesma paisagem, com o mesmo sotaque, com interesses um pouco parecidos em relação à linguagem e ao pensamento da música. Buscamos isso em comum, mas com estéticas completamente diferentes, cada um com seu jeito de colocar as idéias", diz. "Acho isso muito bacana, porque Minas não tem mesmo uma cara como tem Recife, como tem a Bahia. A gente tem desde o Digitaria, que é uma banda supereletrônica e está rodando o mundo, até Marina Machado, que atualiza o Clube da Esquina. Ao mesmo tempo, não é só isso, porque estamos conectados a muito mais coisas. Meu trabalho é uma espécie de diário. Admiro muito o olhar diferente do meu, que faz ter surpresas e perceber o mundo de outra forma."

Kristoff, Érika e Elisa mostram no Ibirapuera o material de seus discos de estréia-solo, respectivamente Em Pé no Porto (2007), No Cimento (2006) e Da Maior Importância (2008). A cada noite, os três recebem, nas apresentações individuais com suas bandas, um convidado com quem denotam afinidades. No encerramento, o trio se junta para interpretar São, canção de Kristoff e Makely Ka que rende tributo a São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

Minas Contemporânea . Auditório Ibirapuera (800 lugs.). Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, Parque do Ibirapuera, 3629-1075. Hoje e amanhã, 21h; dom., 18h. R$ 30

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