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Museu do Prado inaugura exposição perturbadora de Goya

MADRI - Essa não é uma exposição para os sensíveis ou temerosos. Em seu principal evento de primavera, o museu do Prado revelou nesta segunda-feira 200 pinturas e desenhos do mestre espanhol Francisco Jose de Goya y Lucientes.

AP |

"Essa é uma exposição que se deve ver, mas não é prazerosa", disse Jose Manuel Mantilla, chefe da divisão de pinturas e desenhos do museu. "Você vai embora abalado".

Intitulada "Goya em tempos de guerra", a exposição inclui 90 pinturas e mais de 100 desenhos de um período de 25 anos que incluiu a passagem do século 18 para o 19.

O evento faz parte das comemorações dos 200 anos da Guerra da Independência espanhola, que se seguiu à invasão das tropas de Napoleão.


Goya en tiempos de guerra é "exposição perturbadora" / AP

"A arte tem que mostrar a beleza, mas também deve nos fazer refletir", disse Mantilla. "Essa exposição é um reflexo da violência humana e torna Goya universal e muito contemporâneo".

O centro da exposição são dois quadros de larga escala especialmente restaurados para o evento. Eles mostram uma horrível revolta contra as forças francesas em Madrid e a assustadora represália das tropas de Napoleão no dia seguinte.

"É sem dúvida uma exposição perturbadora que deixa pouco espaço para o otimismo", disse a curadora do evento, Manuela Mena.

A exposição se concentra nos trabalhos de Goya depois de 1793, quando uma doença quase fatal o deixou surdo.

"Essa experiência o deixou renovado e ele começou a pintar de outra forma. Buscava algo como independência e liberdade", ela disse.

Nesse período ele evoluiu de pintor da corte espanhola a artista independente abençoado com um olhar crítico e um excepcional talento para o realismo, oferecendo percepções intensas da natureza do homem.

Nele, ele alterna entre retratos exuberantes da realeza em toda sua nobreza - como no retrato de Carlos IV - e  dezenas de séries de pequenos desenhos como "Desastres de Guerra", "Luta de Touros" e "Loucuras", que como seus títulos irônicos explicam, retratavam a crueldade, estupidez e vícios dos contemporâneos do pintor.

A exposição mostra trabalhos da perturbadora época da revolução francesa, guerras napoleônicas e o fim de tratados que terminou com o Antigo Regime na França e modernizou a Europa.

Os organizadores afirmam que Goya foi de muitas formas uma testemunha privilegiada, algo como um repórter pitoresco. Mas ele rompeu com uma moda de seu tempo de romantizar a guerra ao invés de mostrar suas barbaridades.

"É o diário artístico de Goya em um dos períodos mais turbulentos da história espanhola", disse o diretor do museu Miguel Zugaza.

Apesar do Museu do Prado ter a maior coleção de Goya do mundo, cerca de 75% de toda a exposição veio de fora, muitas de colecionadores particulares, como "Majas no Balcão" e "Marquesa de Montehermoso".

"As obras que temos diante de nós não poderia ser um artista que perdeu o controle", ela disse. "A loucura não estava dentro de Goya, mas fora dele".

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