Museu de história gângster é inaugurado nos EUA

HOT SPRING, Arkansas (AP) - O local do novo Museu Gângster da América tem uma história tão sórdida quanto seu tema.

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O prédio construído na virada do século 20 na Avenida Central da cidade de Hot Spring já foi câmera do comércio, necrotério e bordel. Agora irá celebrar a memória de Al Capone, Owen "Owney" Madden, Lucky Luciano e outros gangsteres que decidiram descansar da vida da cidade grande e relaxar nos spas de Hot Spring, enquanto aproveitavam sua vista grossa às apostas e prostituição ilegais.

"Antes de Tony Soprano eu provavelmente não poderia fazer isso", diz Robert Raines, diretor do museu. "Estou glamorizando esses caras e eles não eram pessoas muito legais".

Mas, de acordo com sabedoria popular, os gangsteres deixavam suas diferenças de lado quando vinham à cidade, que permaneceu um paraíso para a ilegalidade até a década de 1960, quando foi limpa por ordem do então governador Winthrop Rockefeller.

"Todos que eram alguém vinham a Hot Spring. Aqui era Vegas antes de Vegas existir", disse Steve Arrison, diretor executivo do Gabinete de Convenções e Turismo de Hot Spring. "Há um enorme interesse naquela época".

O apogeu da presença gângster em Hot Spring remete a Owney "O Matador" Madden, que morou na cidade nos anos 1930 depois de cumprir pena na prisão Sing Sing em Nova York por assassinato e violação de condicional. Madden se casou com uma local, Agnes Demby, e ficou por ali.

Inicialmente, Madden fornecia resultados de corridas de cavalo para os agenciadores locais e mais tarde se tornou sócio do famoso Southern Club (onde hoje fica o museu de cera de Josephine Tussaud).

Outros gangsteres famosos - Capone, Luciano, Frank Costello e Meyer Lansky - visitaram Madden em Hot Spring. Hóspedes ainda pedem o quarto de Capone no Hotel Arlington, número 442.

Os amigos e guarda-costas de Capone ocasionalmente ocupavam todo o andar do hotel. Certa vez o inimigo seu inimigo Bugs Moran se hospedou no Hotel Majestic, ao lado, mas os dois suspenderam suas diferenças em nome de férias pacíficas.

"Eles não vinham aqui como gangsteres e sim como visitantes", disse Arrison.

Raines, que vivia em Pine Bluff antes de se mudar para Hot Spring para trabalhar no museu, localizou itens para a exposição online ou com pessoas que ainda moram na cidade.

Entre as peças do novo museu está a roleta antes usada no Southern Club. Um piano Steinway de 1929  herança da família de Raines é o item mais valioso da coleção, apesar de Raines acreditar que a roleta e máquinas de apostas irão atrair mais visitantes.

A exposição inclui áreas dedicadas a Madden, Capone e família Vito Genovese, aos gangsteres negros e ao bordel de Maxine, às armas usadas pelos gangsteres, à venda ilegal de bebidas e à batida policial que encerrou os casinos ilegais na cidade.

"Eles não eram os homens em ternos Armani. Eles matavam pessoas", disse Raines.

Os responsáveis pelo museu também realizaram um pequeno documentário a respeito da história dos gangsteres em Hot Spring, no qual exploram os túneis subterrâneos da Avenida Central. Entre outras coisas eles encontraram ali o que parece ser uma pista de boliche completa, com pontos ainda marcados na parede. (Raines diz ter se sentido "como Geraldo" Rivera ao explorar o cofre de Capone).

O documentário, que será exibido no cinema do museu, também mostra entrevistas com moradores da cidade que se lembram dos turistas gangsteres dos anos 1930 e 1940.

"A Avenida Central tem muitos segredos e aos poucos eles aparecem", disse Raines.

O museu também apresenta algum humor. Os responsáveis pediram que a artista Magaret Kipp realizasse algumas pinturas no prédio, que inclui uma de Capone, Lansky, Madden e Luciano esculpidos em uma montanha. Ainda sem nome, mas Raines diz que gostaria do título Mount Hushmore (trocadilho com o nome de um famoso ponto turístico americano conhecido como Monte Rushmore).

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