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Murilo Sales estréia o experimental Nome Próprio nesta sexta

SÃO PAULO - ¿Nome próprio¿, o quinto longa ficcional de Murilo Sales, levou quatro anos para ser lançado, sendo que um deles foi só para a montagem. O resultado deste processo pode ser visto a partir desta sexta-feira (18). O filme é baseado em dois livros da blogueira Clarah Averbuck, ¿Máquina de pinball¿ e ¿Vida de gato¿. As obras são narradas pela personagem Camila, uma jovem que tem um blog e um sonho: escrever seu livro.

Ana Clara Werneck, do Último Segundo |

No filme, Camila é uma jovem que sai de Brasília em direção a São Paulo junto com o namorado. Ao chegar lá, o namoro termina e ela tem de lidar com a falta de dinheiro, as reviravoltas amorosas, a ansiedade intensa (provocada em grande parte pelo uso de anfetaminas), e principalmente com a presença de si própria.

A Camila de Nome próprio é apontada, inclusive por Murilo, como o alter-ego de Clarah, embora o diretor admita que sua obra é uma livre adaptação dos livros, e que ele criou sua própria Camila.. Por sua vez, a escritora diz que o filme não é nenhum pouco fiel a suas obras e que nenhuma de suas sugestões foi usada na versão final. Entretanto, ela explica gostou do filme, e que encara a adaptação com desapego.

Segundo o diretor, Nome próprio é um filme experimental sobre o lado não bárbaro do Brasil, o das pessoas conectadas à internet, mas principalmente sobre transbordamento feminino. Para escrever um filme permeado pela escrita na internet, Murilo conta que escolheu não contar simplesmente a história da blogueira Camila, mas enfrentar a literatura. Na prática, isso significa que longos fragmentos dos textos postados pela protagonista aparecem na tela durante toda a projeção, o que faz de Nome próprio um filme de palavras.

Palavras poéticas, passionais, irreverentes, duras, doces. Os caracteres que permeiam a história de Camila podem ser tudo, menos meras palavras. Junto delas, o intermitente som do teclado, que só é substituído pelos ruídos cotidianos de lavar a louça, esfregar o chão, desentupir a pia, que enchem o espaço como gritos que acompanham a vida louca vida da personagem. Para completar, super closes desvendam no íntimo a Camila de uma Leandra Leal bem mais magra que o habitual.

A outra escolha de Murilo, esta de divulgação, foi centrar tudo no lugar em que o filme começou: a web. Além do blog nomepropriofilme.blogspot.com , que conta com atualizações diárias, o filme também está no Orkut, Flickr e MySpace. Para os usuários deste site, houve uma pré-estréia especial. Procuro coerência entre forma e conteúdo. Filme de blogueira tem de ter internet, justifica o diretor.

Com orçamento de R$ 1,5 milhão e estreando em 16 salas de cinema, Murilo tem a convicção de que Nome próprio vai dar prejuízo, apesar dos patrocínios do Minc, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, da Petrobras e da Oi. Faço filmes porque amo cinema, não para ganhar dinheiro, afirma, sem disfarçar o frio na barriga antes da estréia. Estou tenso, angustiado e feliz.

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