Mulheres sem-terra ocupam grandes empresas e ministério

SÃO PAULO (Reuters) - Trabalhadoras rurais ligadas ao MST e à Via Campesina protestaram com ocupações de empresas nesta segunda-feira contra o agronegócio e as grandes empresas exportadoras de produtos agrícolas e em defesa da reforma agrária. Apenas mulheres e crianças participaram dos atos, como parte do Dia Internacional da Mulher, no domingo. Pelo menos quatro grandes companhias foram ocupadas temporariamente: a Votorantim Celulose e Papel (VCP), uma usina de açúcar da Cosan e outra da Cruangi, além do porto de exportações da Aracruz Celulose. A sede do Ministério da Agricultura também fez parte da lista, ocupação que registrou um ferido.

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Na VCP, foi ocupada por cinco horas a fazenda Aroeira, em Aceguá, no Rio Grande do Sul. Segundo nota da empresa, a ocupação foi pacífica, mas teve como consequência o corte de 1,6 mil árvores, em uma área com pouco mais de 1 hectare.

Na usina da Barra (SP), que faz parte da Cosan, uma das maiores produtoras de açúcar e álcool do país, a produção não parou com a ocupação.

Segundo dados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o grupo Cosan explora uma área duas vezes maior que o total de hectares destinados para a reforma agrária no Estado de São Paulo. Seriam 605 mil hectares explorados pelo grupo, contra 300 mil hectares para as 15 mil famílias em assentamentos.

A usina Cruangi, localizada no município de Aliança, Zona da Mata de Pernambuco, foi invadida como protesto pela utilização de trabalho escravo. Segundo o MST, em fevereiro a fiscalização contra o trabalho escravo resgatou 252 trabalhadores rurais. A empresa não foi localizada.

Outro alvo foi o Portocel, porto da Aracruz e da Cenibra, duas das maiores exportadoras de celulose do Brasil, localizado no Espírito Santo. Apesar de a ocupação ter levado uma hora, a operação do porto foi suspensa por medida de segurança por quase cinco horas, informa a empresa, que diz que foram danificadas 2 mil toneladas de celulose durante o protesto. O prejuízo nos cálculos atingiria 1,2 milhão de dólares. O porto responde por 70 por cento das exportações de celulose do Brasil.

Fez parte do protesto ainda a sede do Ministério da Agricultura em Brasília. Cerca de 400 pessoas, segundo o ministério, ou 800, de acordo com o MST, ocuparam o local que, para os manifestantes, é "controlado pelos ruralistas e sustenta os latifundiários, as empresas transnacionais e o capital financeiro". Uma porta de vidro da recepção foi derrubada, ferindo o chefe da segurança.

"Realmente uma porta foi quebrada, mas não vimos ninguém machucado. Foi um incidente pequeno que não tirou o caráter pacífico da manifestação", disse um assessor do MST.

Enquanto o MST e a Via Campesina contabilizaram cerca de 4.500 manifestantes nas ações, as empresas não fizeram levantamento.

O MST causou polêmica nos últimos dias, quando um confronto envolvendo seguranças de uma fazenda e integrantes do movimento resultou na morte de quatro homens, funcionários da propriedade rural. Dois sem-terra foram presos e alegaram legítima defesa.

Há 120 mil famílias de sem-terra acampadas no país, à espera de um assentamento agrário, segundo dados do movimento.

(Reportagem de Carmen Munari)

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