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Mulheres acima de qualquer suspeita viram caso policial

Agentes estão atrás de jovem que tramou assalto da própria mãe. Relembre outros casos

Anderson Dezan e Camila Nascimento |

Há duas semanas a polícia do Rio de Janeiro está à procura de Lauren Mayá Portella, de 19 anos. O caso da jovem bonita, bem-educada e "acima de qualquer suspeita", segundo pessoas ouvidas pela polícia, foi revelado no dia 10 deste mês, quando conversas entre ela e o namorado, Marcos Vinícius Almeida, tramando o assalto da própria mãe foram divulgadas.

Reprodução
Lauren ao lado do namorado

A história de Lauren chama a atenção, até mesmo da polícia, pela frieza dela ao arquitetar o assalto. O delegado Roberto Gomes Nunes, da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), responsável pelas investigações do caso, diz que está acostumado com casos que impressionam, mas essa ocorrência em específico chama a atenção pela frieza dela.

"Ao tramar o assalto, a jovem colocou em risco a vida da própria mãe. As escutas mostram que ela é muito bem articulada e sabia exatamente o que estava fazendo", acrescentou Nunes.

Segundo escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a estudante de Direito, nascida em uma família de classe média e filha de um procurador federal com uma professora, tramou todos os detalhes do roubo à mãe com o namorado. Almeida também está foragido e é apontado pela polícia como integrante de uma quadrilha especializada no sequestro de gerentes de banco na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Em conversas gravadas pela polícia, Lauren dá dicas de como o assalto deveria ser realizado. "Estou falando para tu ficar parado perto daquela casa rosa ali (...) Quando ela sair, você sai", diz a universitária ao namorado. "Ouviu? (...) Já saiu daqui de casa", diz Lauren, referindo-se à mãe, que deixava a residência.

Em outro trecho da conversa, monitorada pela polícia, a estudante faz um pedido para a mãe que seria assaltada minutos depois. "Traz um doce para mim. Traz alguma coisa para eu comer, hein?".

Suzane Von Richthofen

AE
Suzane: presa pela morte dos pais

Casos de jovens bem nascidas que se envolvem com a vida do crime fazem parte do noticiário policial. Em 2002, Suzane Von Richthofen, na época com 19 anos, tramou com o namorado, Daniel Cravinhos, o assassinato dos pais, o engenheiro Manfred von Richthofen e da psiquiatra Marísia von Richthofen.

O casal foi encontrado morto em seu quarto com golpes de barras de ferro. Uma hipótese levantada foi que o crime teria ocorrido porque os pais de Suzane não aceitavam o namoro dela com Daniel, nascido em uma família de classe baixa.

Os dois, mais o irmão de Daniel, Cristian Cravinhos, que também participou do assassinato, estão presos. Suzane foi condenada à pena de 39 anos e 6 meses de reclusão pela morte dos pais. Hoje, com 26 anos, Suzane frequenta cultos evangélicos na Penitenciária de Tremembé, localizada a 147 quilômetros de São Paulo, onde está presa.

No último dia 18, os advogados da jovem apresentaram no Supremo Tribunal Federal (STF) habeas corpus pedindo que ela seja transferida para um centro de ressocialização ou tenha direito à progressão para o regime semiaberto. Ela já teve dois pedidos idênticos negados liminarmente: um pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e outro pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

"O caso de Suzane é mais grave. Por causa de um capricho, ela tramou a morte dos pais, o que indica uma psicopatia. Seu caso pode ser tratado como transtorno de personalidade", avalia a psiquiatra Ana Cristina Saad, doutora em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ana Paula Jorge de Sousa

Divulgação
Ana Paula, vida no crime ao lado do namorado

Outro caso que teve grande repercussão nacional envolvendo uma jovem que aparentemente tinha tudo para viver longe do crime ocorreu em 2007. A ex-universitária Ana Paula Jorge de Sousa, na época com 21 anos, estudava Direito, era filha de um empresário de Campinas, no interior de São Paulo, e morava em um apartamento grande localizado em dos bairros nobres da cidade.

A jovem abdicou de uma vida de luxo e conforto para correr riscos ao lado do namorado Raoni Renzo de Miranda, de 18 anos. Ela deixou de lado a estabilidade da família e tudo o que o dinheiro poderia lhe dar e passou a acompanhar o namorado e sua quadrilha em assaltos a residências e casas lotéricas. Em um dos roubos, o grupo levou R$ 4 mil de uma loteria mais um telefone celular.

Ana Paula e o grupo foram presos e ela foi condenada a 8 anos, quatro meses e 24 dias de reclusão. A jovem disse na época ter feito tudo movida por uma paixão fulminante. "Fiz para proteger o Raoni. Não queria que nada de mal acontecesse a ele", explicou à imprensa.

Kelly Samara Carvalho dos Santos

AE
Kelly queria chamar a atenção dos pais

Em 2007, a jovem Kelly Samara Carvalho dos Santos foi presa acusada de praticar crimes contra empresários após conhecê-los em casas noturnas em regiões nobres da cidade de São Paulo. Quando foi detida, com 19 anos, Kelly disse que cometia os crimes para chamar a atenção dos pais.

"Sempre tive tudo, mas queria chamar a atenção de minha família", disse logo após ser indiciada pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e por furtos. Kelly, apesar de ter residência fixa, usava os cheques roubados de suas vítimas para se hospedar em hotéis de luxo.

A jovem teria participado do furto de uma gravura de Juan Miró avaliada em US$ 18 mil, vendida depois por R$ 1mil. Entre outros crimes, segundo a polícia, ela teria roubado R$ 50 mil em jóias em um apartamento de um empresário em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Maria Paula Amaral

Na década de 80, a relação amorosa entre Maria Paula Amaral, filha do ex-vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, e o traficante Paulo Roberto de Moura Lima, mais conhecido como Meio Quilo, também chocou a opinião pública. O caso, no entanto, se difere das histórias de Laurem, Suzane e Ana Paula em um ponto: a jovem se apaixonou pelo traficante, mas não há registros de que ela tenha se envolvido com suas atividades criminosas.

Maria Paula na época tinha 20 anos, morava em uma área nobre da zona sul do Rio de Janeiro e prestaria vestibular para Psicologia. A mãe da jovem comandava um trabalho de assistência a presidiários e, nesse projeto, Maria Paula conheceu Meio Quilo durante a reforma do teatro da penitenciária onde ele estava.

Os dois mantiveram um relacionamento às escondidas por alguns meses até a morte do traficante, ocorrida após uma tentativa de fuga do presídio. A jovem entrou em choque, teve de fazer tratamento e culpou o Estado, representado pelo pai, pela morte do namorado.

Segundo Maria Paula, em seus encontros, os dois nunca conversavam sobre tráfico de drogas e outros assuntos relacionados ao mundo do crime. Ela sequer sabia o motivo dele ter sido condenado a 360 anos de reclusão. A jovem classificava Meio Quilo como um homem honrado, gentil e educado que não teve oportunidades na vida.

Flávia Silveira Araújo Prestes

Em 1995, Flávia Silveira Araújo Prestes, neta de um ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, foi assassinada pelo próprio namorado, que era gerente do tráfico do Morro do Vidigal, no Leblon. A jovem morava em um dos endereços mais nobres do Rio de Janeiro, a Avenida Vieira Souto, em Ipanema.

Segundo especialistas, bandidos são vistos por essas mulheres como imagem de poder. "Eles dão um mundo de fantasias, cheio de possibilidades, assim como faziam piratas que viraram personagens de romances no século 18. Geralmente esses fatos ocorrem com meninas mais jovens que buscam viver situações de perigo e adrenalina. Elas procuram viver com esses parceiros os riscos que não encontram em outros", argumenta a psiquiatra Ana Cristina Saad.

"Algumas dessas jovens possuem aquele amor cego, a autoestima delas é muito baixa e precisam fazer algo, muitas vezes com riscos, para encantar o outro ou para participar de um grupo, mesmo que este esteja à margem da normalidade", completa.

De acordo com a especialista, algumas dessas mudanças de comportamento se forem percebidas logo no início podem ter desfechos melhores. Para ela, a melhor solução nessas horas é procurar um profissional que irá indicar o caminho a ser seguido e dará a orientação necessária.

"Os pais devem procurar a ajuda de um especialista para, dependendo dos casos, iniciar uma terapia familiar. Muitas vezes, os pais não dão conta desses fatos porque fogem do que eles podem fazer", finaliza.

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