Mulheres iniciam vida sexual mais cedo, diz pesquisa

BRASÍLIA - A vida sexual das mulheres brasileiras está começando mais cedo. Nos últimos dez anos, passou de 11% para 32% o número de mulheres que tiveram sua primeira relação sexual até os 15 anos. O número de jovens virgens entre 15 e 19 anos caiu na última década de 67% para 44%, em 2006. Os dados são da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), divulgados nesta quinta-feira (3) pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias |


A pesquisa também revelou que a relação entre a média de idade das mulheres no primeiro filho caiu de 22,4 anos para 21 anos. O número de filhos por mulheres também reduziu nos últimos dez anos: de 2,5 em 96; para 1,8 filho por mulheres, em 2006.

O estudo também mostrou deficiências, dentre elas na área do aleitamento materno (apenas 45% dos bebês com três meses mamam no peito) e no número de cesarianas (aumentou de 36 para 44% dos partos na rede pública de saúde). "Os dados demonstram que estamos no caminho certo, apesar dos desafios que ainda precisamos enfrentar", ponderou o ministro.

Contracepção

Com relação a prática contraceptiva, o estudo mostrou que das jovens de 15 a 19 anos sexualmente ativas, 66% já haviam usado algum método contraceptivo, sendo a camisinha o mais utilizado (33%), a pílula (27%) e os injetáveis (5%).

Das mulheres com até 24 anos, mais de 80% usaram camisinha na primeira relação; no entanto, apenas 27% das mulheres declararam ter usado o contraceptivo masculino na última relação. "Isso demonstra que as mulheres solteiras, mais novas, têm se cuidado mais do que as casadas e mais experientes", explicou a pesquisadora Sandra Garcia, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).                                                                     

Pré-natal

Outro dado considerado extremamente positivo apontado pela coordenadora do projeto Elza Berquó diz respeito a assistência pré-natal das mulheres gestantes. O estudo revelou que houve uma queda, ao longo de 10 anos, de 14% para 1% no número de mulheres que não compareceu a qualquer consulta ao longo da gestação. Por outro lado, a pesquisa mostrou que 77% das mulheres compareceram a pelo menos seis consultas de pré-natal (entre 2000 e 2006). 

Desnutrição infantil

O ministro da Saúde comemorou o resultado da pesquisa, que apontou, dentre outros dados, uma queda expressiva na desnutrição infantil nos últimos dez anos ¿ mais de 50% nas crianças menores de cinco anos; chegando a 67% no Nordeste. Temporão creditou o impacto dos índices a implementação de várias políticas públicas, e citou o programa Bolsa-Família como exemplo.

Pesquisa

O estudo que já foi realizado no Brasil em 1986, e repetida em 1996, abrangeu as cinco regiões brasileiras, tanto as áreas urbanas quanto as rurais, em um total de 14.617 domicílios, e traçou o perfil da população feminina em idade fértil e de crianças menores de cinco anos. As informações foram coletadas entre novembro de 2006 e maio de 2007.

Além de entrevistas domiciliares com mais de 15 mil mulheres e aproximadamente cinco mil crianças, também foram feitas mensurações de altura e peso, recolhimentos de amostras de sangue para a realização de dosagens de vitamina A e hemoglobina e coletas de informações sobre o teor de iodo disponível no sal consumido pelas famílias pesquisadas.

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