Mulheres idosas têm mais chances de desenvolver câncer de mama

Mulheres idosas têm mais chances de desenvolver câncer de mama Por Amanda Valeri São Paulo, 12 (AE) - Quanto mais idade, maior a chance de uma mulher ter câncer de mama. Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, cresceu o número de mulheres idosas que podem ter a doença.

Agência Estado |

Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de mama é uma das principais causas de morte em mulheres no País. O ideal e mais importante, na avaliação dos especialistas, é o diagnóstico precoce.

O tumor no organismo das mulheres com mais de 65 anos é menos agressivo do que nas mulheres mais jovens. "O tumor depende do estrógeno para se desenvolver. Nesta faixa etária a produção (do estrógeno) já é bem mais lenta e por isso a doença é menos agressiva", explica Edgar Navarro, mastologista do Hospital São Luiz. Segundo José Roberto Filassi, mastologista e chefe do ambulatório de mastologia do Hospital das Clínicas, a incidência de câncer de mama é entre os 50 e 75 anos. "Isso mostra que o organismo da mulher é saudável e conseguiu vigiar bem, ou seja, a genética é boa", diz.

Um dado importante e ao mesmo tempo desanimador é que não há prevenção quando se trata de câncer de mama. "Ele aparece, não tem como evitá-lo", afirma Navarro. Os especialistas destacam que o diagnóstico precoce, através da mamografia, ainda é a principal arma para combater a doença. De acordo com o mastologista do Hospital São Luiz, o exame feito anualmente reduz em 25% a mortalidade das mulheres com mais de 50 anos. "O melhor exame hoje é rastreamento, que é, basicamente, a realização de exames antes que o tumor se torne sintomático. A chance de cura é extremamente alta", completa Filassi.

Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, a primeira cena que lhe vem à cabeça é a do seio extraído. "Este tabu tem que cair. Alguns especialistas alegam que pelo fato de a mulher ser mais velha, que não tem vaidade, nem vida sexual ativa", alfineta Navarro. "É preciso oferecer todos os recursos para a paciente, pois há um desgaste muito grande do ponto-de-vista psicológico."

O mastologista do Hospital São Luiz afirma que o tratamento do câncer de mama nas mulheres com mais de 65 anos é exatamente igual ao aplicado nas mulheres mais jovens. "Dentro de alguns princípios básicos, pois nessa faixa etária há uma incidência maior de diabetes, pressão arterial mais elevada, obesidade", diz. "Às vezes nem é preciso realizar a quimioterapia ou radioterapia. A paciente recebe apenas uma terapia de remédios, que é aplicada durante cinco anos para eliminar qualquer risco ou chance de ter novamente a doença", ressalta Filassi.

Um debate que gera muitas discussões tanto entre a classe médica como entre as mulheres é a influência da reposição hormonal. Muitos acreditam que ela aumenta a chance de surgir o câncer de mama. Mas Navarro contesta: "As mulheres fazem a reposição hormonal entre os 50 e 55 anos. E ela é feita durante cinco anos, ou seja, é realizada no máximo até os 60 anos. Portanto, mulheres com 65 anos não estão na faixa de realizar o procedimento." E faz um alerta: "Hoje em dia e futuramente vamos detectar cada vez mais o câncer de mama em mulheres mais velhas por causa do aumento da expectativa de vida da população."

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