Mulheres com disfunções na libido necessitam de ajuda médica

Mulheres com disfunções na libido necessitam de ajuda médica Por Fabiana Caso São Paulo, 12 (AE) - Disfunções na libido são mais comuns do que se imagina. Segundo o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, conduzido pelo Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, 22% das mulheres de todas as idades têm problemas com relação ao desejo sexual.

Agência Estado |

Na faixa de mais de 50 anos, o índice salta para 40%.

O estudo foi conduzido pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex. Segundo ela, é natural que toda mulher passe por períodos de queda de libido, seja por estar mais concentrada no trabalho, por estar vivendo um período de estresse intenso ou pela perda de entes queridos. "Quando essa falta de desejo ultrapassa os seis meses, torna-se importante investigar a causa e procurar tratamento", indica Carmita.

O período de gestação, o pós-parto e a menopausa são momentos em que há queda natural do desejo sexual. A mulher em idade reprodutiva tem uma produção hormonal mais favorável à sexualidade - no entanto, há muitas que em plena terceira idade continuam ativas, apesar de lidarem com a secura vaginal.

Há outros fatores físicos que podem determinar a queda da libido feminina: desequilíbrios hormonais causados pelo hipo ou hipertireoidismo, efeitos colaterais de antidepressivos e a diabete, quando afeta a lubrificação vaginal. Os anticoncepcionais e medicamentos contra hipertensão também podem ser vilões. "O melhor é sempre conversar com o médico sobre esse efeito indesejável (a baixa do desejo sexual) para adequar o tratamento."

No entanto, as causas são, geralmente, emocionais. "A depressão, a ansiedade e o estresse patológico inibem o desejo", acrescenta a médica. "A mulher ansiosa tem a atenção multi-dirigida. Não consegue relaxar e se concentrar na relação sexual, então não se lubrifica e o sexo fica desagradável."

A baixa do desejo também pode ser detonada por problemas no relacionamento conjugal. A falta de intimidade, ou a decepção gerada por uma infidelidade, costumam armar um cenário em que as mulheres ficam mais insensíveis sexualmente. "O primeiro passo é identificar as causas, se são físicas, emocionais ou mistas", orienta Carmita.

CONVERSA ABERTA
A falta de comunicação foi o que acarretou um esfriamento na vida sexual da comerciante A. J., de 59 anos, que passa meses sem ter relações sexuais com o marido. Estão casados há 38 anos, têm três filhos e até netos. A queda da libido aflige A.J. há cerca de sete anos. "Nosso relacionamento está desgastado", exclama. "Com a minha idade, há uma diminuição na produção de hormônios, já não sinto tanta vontade. Gostaria de uma situação mais elaborada, com um clima romântico, mais carinho, atenção."

Segundo ela, apesar do longo tempo de relacionamento, a comunicação não é fácil. A.J. já sugeriu uma terapia de casal, mas a ideia foi vetada pelo marido. "Temos temperamentos diferentes e poucas afinidades. Houve uma piora geral na relação nesse período." Ela também se dedica muito aos filhos e netos. "Quando o dia acaba, estou super cansada e quero dormir."

De toda forma, assim que resolver os problemas de família com os quais está envolvida, pretende batalhar para ter um relacionamento melhor. "Vou investir para atrair maior interesse da parte dele, vamos ver se funciona."

Já a bibliotecária Tatiane (que prefere não dizer o sobrenome), de 33 anos, passa por períodos que podem chegar a 15 dias sem apresentar desejo sexual. Casada, não enxerga um problema. "Não somos máquinas, nossa resposta não é sempre a mesma." Identificou que, nos períodos em que está relaxada, como nas férias, o desejo fica muito maior. "Quando há uma sobrecarga de trabalho ou estudo, a vida sexual deixa de ser uma prioridade. E deveria continuar sendo, porque melhora o resto", reflete.

Para a ginecologista e sexóloga Ana Paula Junqueira, do Hospital São Camilo, a disfunção sexual feminina quase sempre está associada à falta de desejos em geral. "Quando a pessoa vai buscar ajuda, percebe que está longe de outras ações prazerosas que são significativas para ela", comenta.

Para mudar a situação, recomenda acompanhamento psicológico e uma simples investigação. "A mulher deve avaliar o quanto teve de prazer nas últimas 24 horas, o quanto deu de risada. Ou refletir se não está tendo um excesso de preocupações, se está sedentária, enfim, como anda sua qualidade de vida. E, principalmente, se está cuidando bem de si." Ingerir alimentos de difícil digestão no jantar, lembra, também pode atrapalhar uma noite de prazer.

Muitas desenvolvem uma fobia ao sexo porque não são conhecedoras do próprio corpo, ou não comunicam suas preferências e expectativas. "Nem sempre dizem que gostariam de ser estimuladas de uma maneira específica, com mais carinho", fala Ana Paula. "Nenhum animal tem o coito olhando um para o outro, como os humanos. Então, de uma forma verbal ou mais sutil, temos que nos comunicar."

Ainda não há um Viagra feminino. Mas existem cremes para ajudar na lubrificação, óleos comestíveis, gel com hormônios e fitoterápicos. E, quando o problema é hormonal, são indicados medicamentos para equilibrar o sistema. A questão principal é procurar ajuda médica quando se percebe que a queda da libido instalou-se na vida. "A mulher não deve pensar que a falta de desejo crônica é natural. Uma boa vida sexual é um fator importante para a qualidade de vida", finaliza a psiquiatra Carmita Abdo.

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