Mulheres buscam gravidez em dose dupla após 35 anos

Depois que as mulheres começaram a disputar o espaço no mercado de trabalho com os homens e, paralelamente, com o desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros - que permitiu que elas definissem o momento ideal para engravidar -, muitas passaram a ter filhos mais tarde, em torno dos 35 anos. Na cola dessa decisão, surgiu o problema da infertilidade e, em alguns casos, a solução passou a ser a inseminação artificial.

Agência Estado |

Mas, hoje em dia, as futuras mamães não querem mais ter somente um filho. Elas querem gêmeos.

"Ter gêmeos é como se fosse um acidente de percurso. Cerca de 10% a 15% das pacientes, ocasionalmente, têm dois ou três filhos na mesma gestação", explica Raul Nakano, especialista em reprodução humana pelas universidades de Kanazawa e Keio, no Japão, e diretor clínico da Ferticlin. Segundo ele, "a técnica prefere que seja uma criança por vez, pois é mais seguro para a gestante".

Pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) aponta que em São Paulo, em um período de 10 anos (1995-2005), houve um aumento de 2,3% em relação ao número de filhos de mães entre 35 e 39 anos, comparados aos 10 anos anteriores.

Existem diversos tratamentos para reprodução, principalmente para as mulheres mais velhas, já que idade e fertilidade são inversamente proporcionais. No caso da inseminação, o objetivo é depositar os espermatozóides, após um processo de melhoramento, nas trompas. "Após três tentativas, a chance de gravidez para uma mulher de 35 anos pode aumentar até 50%", diz Joji Ueno, especialista em reprodução humana, diretor da Gera e responsável pelo Setor de Histeroscopia Ambulatorial do Sírio Libanês.

Esse tipo de procedimento ainda é muito caro. O Setor de Reprodução Humana do Hospital São Paulo é um dos poucos lugares que realiza tratamentos com valores mais baixos. "As pessoas só pagam pelos medicamentos ou serviços não custeados pelo SUS", explica Renato Fraietta, um dos médicos responsáveis. No programa ( 0800-7723-322), por inseminação, o casal gasta cerca de R$ 2 mil .

Eduardo Diório

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