Mulher tem o direito de optar por não menstruar, defende especialista

Mulher tem o direito de optar por não menstruar, defende especialista Por Cristiana Vieira São Paulo, 26 (AE) - Menstruar é uma questão de preferência pessoal, garante o respeitado ginecologista, professor emérito da University College, de Londres - instituição responsável por elaborar diretrizes em saúde reprodutiva e planejamento familiar - e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS), John Guillebaud. Segundo o médico, especializado em Saúde Reprodutiva, o sangramento mensal não é necessário e sua interrupção tem se tornado o método mais eficaz contra a gravidez, já que é menos sujeito a falhas.

Agência Estado |

Além disso, quando suspendem a menstruação, as mulheres têm menos dores de cabeça - algo que aflige até mesmo as que usam a pílula convencional, já que há uma semana de pausa -, livram-se de outros sintomas pré-menstruais e têm menos riscos de desenvolver endometriose (quando células do endométrio se espalham por outros locais da pelve, fora da cavidade uterina).

Hoje, há diferentes métodos para interromper continuamente a menstruação. Algumas mulheres acabam emendando uma cartela de pílula na outra. Outras recorrem ao DIU, implantes subcutâneos ou injeção. A gerente de marketing Marta Amaral, de 46 anos, sofria com o alto fluxo da menstruação, mesmo não sentindo cólicas nem sintomas da tensão pré-menstrual (TPM).

Só quando engravidou e teve de realizar uma bateria de exames é que descobriu que a cada ciclo ela perdia muito ferro. "A menstruação me deixava anêmica e meu ginecologista optou pela injeção contraceptiva", conta ela, que faz uso do método há 12 anos. Com o passar dos anos, o risco de anemia foi afastado e, para a felicidade dela, o fluxo diminuiu, mesmo quando fez uma pausa no uso da medicação.

NOVA ALTERNATIVA
No segundo semestre deste ano, o laboratório Libbs lançou mais um contraceptivo contínuo: o Elani 28. Trata-se de um anticoncepcional oral com 28 comprimidos, sendo que a mulher não faz pausa entre as cartelas. A composição do medicamento diminui a produção hormonal pelos ovários, inibindo a ovulação e a proliferação endometrial. O medicamento chega ao mercado com custo médio ao consumidor de R$ 45,35. Sua utilização e a consequente suspensão da menstruação por meses ou até anos exigem acompanhamento médico.

A vantagem, segundo o laboratório, é que esse contraceptivo é o único de uso contínuo com drospirenona. A substância é um progestagênio (que impede a ovulação) de quarta geração, que, além de evitar a gravidez com alta eficácia, proporciona alívio dos sintomas menstruais. O medicamento é de baixa dose hormonal (30 mcg de etinilestradiol), o que, segundo o professor Guillebaud, corresponde a um quinto da dose de estrogênio das primeiras pílulas anticoncepcionais.

Mesmo com a promessa de tantos benefícios e melhor qualidade de vida, há muitas mulheres que ficam em dúvida quando o assunto é menstruar ou não. Afinal, passaram a vida escutando que a menstruação é algo que faz parte da natureza e, por isso, não deve ser interrompida.

O ginecologista Guillebaud defende que não há razão para sangrar todo mês se a mulher não pretende engravidar a curto prazo. "Estudos já comprovaram que o uso do contraceptivo oral em regime contínuo pode beneficiar mulheres com sintomas menstruais, como cefaleia, cólica, sangramento excessivo causado por disfunção hormonal, doenças do útero como mioma e adenomiose, e anemia, por deficiência de ferro. Portanto, mais menstruação pode significar mais riscos para a saúde.", enfatiza.

As reações físicas para quem toma contraceptivos orais de uso contínuo são praticamente as mesmas das observadas nos convencionais (aqueles em que são feitas pausas). Podem ocorrer sangramentos irregulares do tipo spotting (mancha menstrual) ou sangramentos de escape. Em ambos os casos, o sangramento tende a diminuir ou desaparecer com a continuidade do tratamento. "O risco da ocorrência de um evento adverso é muito pequeno e não deve ser fator de preocupação para as mulheres, desde que o tratamento tenha sido indicado e orientado por um médico", garante o especialista Guillebaud.

Já as contraindicações do novo medicamento - que também não fogem muito daquelas observadas nas pílulas convencionais - são tabagismo, histórico de doenças tromboembólicas e diagnóstico de neoplasias, como o câncer de mama e do endométrio.

Quanto à fertilidade da mulher, não existem evidências de que o uso de pílulas em regime contínuo possa prejudicá-la. O retorno das menstruações é rapidamente restabelecido após a interrupção desse tratamento.

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