A dona de casa Eliely Teixeira, de 29 anos, passou a madrugada desta quinta-feira acompanhando os trabalhos de busca do Corpo de Bombeiros no bairro Viçoso Jardim, no morro do Bumba, em Niterói. Um deslizamento ocorrido às 20h50 desta quarta-feira provocou ao menos seis mortes na região. Ela faz a vigília no lugar da mãe do desaparecido Caique carvalho de Jesus, de 6 anos. Abalada, a mãe não conseguiu visitar o local.

Arte iG

No momento do deslizamento, o jovem estava na casa da avó, que também esá desaparecida. Emocionada, Eliely disse "eles estão aí, eles estão aí. Estou esperando eles sairem".

De acordo com os bombeiros, a queda de um barranco atingiu de 40 a 50 casas na localidade, conhecida como "mar do morros".

Com o novo deslizamento, já são 85 o número de mortes confirmadas em Niterói por causa das chuvas. Até às 5h desta quinta-feira, os corpos de seis pessoas tinham sido encontrados e 21 sobreviventes haviam sido resgatados.

AE

Trabalhos de resgate durante a madrugada de quinta-feira no morro do Bumba

A principal preocupação das autoridades é a retirada dos entulhos para evitar ferimento pessoas que estão embaixo dos escombros. Como a luz foi cortada para evitar explosões e incêndios, é difícil saber também a extensão e a quantidade de terra que cobriu as casas. O Corpo de Bombeiros confirma, entretanto, que este foi o maior deslizamento desde o início das chuvas .

A Prefeitura de Niterói já informou que as casas atingidas estariam todas habitadas. Na hora, chovia e ventava muito na região, na zona norte de Niterói. Pouco depois da tragédia, moradores estavam desesperados, chorando, gritando nomes de parentes e tentando ajudar com as próprias mãos as equipes dos bombeiros que foram desviadas de outros locais para tentar encontrar soterrados.

Robson Abreu
trabalhos de busca do Corpo de Bombeiros no bairro Viçoso Jardim, no morro do Bumba, em Niterói
trabalhos de busca do Corpo de Bombeiros no bairro Viçoso Jardim, no morro do Bumba, em Niterói

Cinco unidades dos bombeiros, entre os quais o Grupamento Florestal com cães farejadores, foram deslocadas para a região. Os bombeiros informaram também que a cúpula da corporação e da Secretaria Estadual da Saúde e Defesa Civil se encaminhavam para a área atingida. Cerca de 150 homens trabalham no local.

Em todo o Estado já foram confirmadas 153 mortes até as 5h desta quinta-feira. A tragédia no Rio já supera a ocorrida em Santa Catarina, em novembro de 2008, quando morreram 135 pessoas por causa dos temporais.

A maioria dos óbitos, no Rio, foi causada por deslizamentos de terra ou desabamentos, segundo informações da Defesa Civil do Estado.

Segundo a Defesa Civil, os municípios mais afetados pelo mau tempo foram Rio de Janeiro e Niterói, com 48 e 85 mortes, respectivamente. Os municípios de São Gonçalo (16), Nilópolis (1), Petrópolis (1) Paulo de Frontin (1) e Magé (1) também contabilizam mortes.

Em relação ao número de feridos, a corporação informa que o número muda rapidamente. O último balanço realizado aponta 161 pessoas resgatadas no Estado do Rio.

Histórico

A chuva está sendo considerada a mais intensa já registrada na cidade nas últimas décadas. Muitas pessoas não conseguiram retornar para suas casas na segunda-feira, pois o transporte público foi afetado devido a áreas de alagamento registradas em diversas partes da capital e região metropolitana.

Em menos de 24 horas choveu em média 288 milímetros na cidade, segundo a Prefeitura do Rio.


Com informações da Agência Estado.


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