Mudanças na Receita causam demissão coletiva

BRASÍLIA (Reuters) - A exoneração de dois assessores da ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira pela nova direção do órgão provocou nesta segunda-feira a demissão coletiva de 12 servidores que ocupam cargos estratégicos na instituição. Colocaram os cargos à disposição superintendentes regionais e coordenadores de departamentos que trabalham na sede da Receita, em Brasília. Nos últimos dias, Lina Vieira tem protagonizado polêmica que envolve a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sobre suposta ingerência política no órgão.

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"A Receita está em crise. Essa crise tem que ser administrada pelo secretário", alertou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco-Sindical), Pedro Delarue.

"Para administrar essa crise, só tem uma saída: ele (secretário) se comprometer com o projeto de autonomia e independência da Receita Federal sobre qualquer outro interesse que não seja o interesse público", acrescentou, dizendo que novos pedidos de demissão podem ocorrer nos próximos dias se a instituição não for pacificada.

A assessoria de imprensa da Receita Federal afirmou que o órgão não comentará a questão.

A iniciativa dos 12 servidores foi uma reação à decisão do novo secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, de exonerar dois servidores ligados a Lina dos cargos de assessores diretos da chefia do órgão. Apesar de fora dos cargos comissionados, todos deverão permanecer nos quadros da instituição.

A edição desta segunda-feira do Diário Oficial da União traz portaria com a demissão de Iraneth Maria Dias Weiler da chefia de gabinete da Secretaria da Receita Federal e de Alberto Amadei Neto da função de assessor especial. Ambos são ligados à ex-secretária.

Fora do cargo desde julho, Lina Vieira voltou às páginas dos jornais locais depois que disse à imprensa ter recebido a orientação de Dilma Rousseff para "agilizar" a fiscalização de um filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ela afirmou que entendera o pedido como sugestão de encerramento das investigações.

Lina deu na semana passada um depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas não apresentou provas de que a reunião tenha acontecido. Apesar de ter dito que não se sentiu pressionada por Dilma, a ex-secretária da Receita considerou a atitude da ministra descabida.

A ministra negou o encontro, que chegou a ser confirmado por Iraneth, chefe de gabinete da então secretária da Receita Federal.

(Reportagem de Fernando Exman)

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