BRASÍLIA ¿ O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, negou que uma rebelião esteja em curso na Receita Federal. Segundo ele, o pedido de demissão de 12 servidores do órgão anunciado por carta nesta segunda-feira é apenas o curso natural após a mudança de comando.

Não há rebelião. Houve uma mudança de comando, natural, e qualquer mudança de comando em qualquer estágio, procedem-se modificações administrativas - a forma de funcionamento e índice de confiança. É natural de mudança de comando, disse nesta terça-feira.

Agência Brasil

Lina Vieira em depoimento na CCJ

Múcio garantiu ainda que as coisas vão se acalmar no Fisco a partir destas demissões. As coisas, a partir de hoje, estão serenadas. (...) Todos são [da Receita Federal], sucessores e sucedidos. Eles têm interesse em que a casa funcione bem.

Seis superintendentes regionais da Receita, cinco coordenadores e o subsecretário de Fiscalização, Henrique Jorge Freitas, pediram exoneração do órgão na noite de ontem em protesto à demissão Iraneth Maria Dias Weiler, chefe de gabinete da ex-secretária do Fisco, Lina Maria Vieira.

Colega de Múcio, o ministro Guido Mantega (Fazenda) também negou hoje que tenha tido ingerência política na administração do órgão, como afirmam os 12 servidores. Ao ser questionado se haveria ingerência no órgão, Mantega respondeu: "Nada".  E sobre as demissões, ele reagiu ironicamente: "Que demissões?"

Dilma

Múcio também confirmou que a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) descansou ontem e vai despachar de sua casa hoje, mas negou que ela vá sair de férias. Soube que ontem ela deu uma descansada, e hoje também, porque amanhã temos um dia duro. Terminar a questão do pré-sal para apresentar na próxima segunda-feira. (...) Não vai [para descansar].

A expectativa é que Dilma saia de cena por um período para que sua imagem não seja ainda mais arranhada por conta do episódio com a ex-secretária da Receita Lina Vieira. Lina insiste que teve um encontro a sós com a ministra, no qual Dilma pediu que as investigações contra as empresas da família Sarney fossem agilizadas.

O ministro, porém, negou que esse descanso de Dilma seja uma estratégia para blindá-la do desgaste do episódio. Ela é candidata a presidente da República. O furacão vai existir ser sempre. No meio de 192 milhões de brasileiros, uma foi escolhida para ser nossa candidata. Então, os problemas vão sempre estar em torno dela e ela não vai fugir dos problemas nunca. [O descanso] Foi orientação médica. Ela precisava de um descanso. Ela trabalha mais do que nós todos. Precisava dar uma parada, disse.

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