O ministro José Múcio Monteiro, do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou hoje que ainda não tomou conhecimento do conteúdo da fiscalização do órgão sobre as contas da Fundação Sarney e, por isso, não irá se manifestar sobre um possível conflito de interesses no caso. Ele pode, no entanto, se declarar impedido para relatar o processo.

Múcio assumiu o cargo no TCU no último dia 20, por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, como ministro das Relações Institucionais, ele foi o articulador político do Planalto e defendeu com afinco a permanência do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa - apesar dos escândalos, entre eles o da própria Fundação Sarney.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), alerta que a reputação de Múcio está em jogo. "Enquanto exercia uma função política, ele atuava politicamente. Agora como juiz, precisa analisar o caso à luz do processo, da ética", ressaltou o senador, um dos responsável pela denúncia ao TCU.

A Fundação Sarney, com sede no Maranhão, recebeu R$ 1,3 milhão da Petrobras via Lei Rouanet. Investiga-se um possível desvio de ao menos R$ 500 mil para empresas do presidente do Senado.

De acordo com o tribunal, a investigação sobre a fundação está na 9ª Secretaria de Controle Externo (Secex), no Rio de Janeiro, e nenhuma deliberação foi realizada sobre o assunto até agora. Os dados das prestações de contas da entidade estão sob análise dos auditores do órgão.

Ontem, a entidade informou que fechará suas portas alegando falta de patrocínio.

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