Ministério Público investiga mortes em Pronto Socorro de Cuiabá

Promotores vão apurar se hospital está superlotado, se equipamentos básicos estão funcionando e se procedimentos são seguidos

Helson França, iG Mato Grosso |

A morte de duas pessoas em menos de 24 horas no Pronto Socorro de Cuiabá, a maior unidade de saúde de Mato Grosso, vai ser investigada pelo Ministério Público Estadual (MPE). Os promotores vão apurar se o hospital está superlotado, se os equipamentos básicos estão funcionando e se os procedimentos mínimos de atendimento estão sendo realizados.

Na segunda-feira (16), um homem aguardava por uma cirurgia de amputação em um dos pés, que já estava gangrenado. Ele morreu.

O processo de gangrena foi acelerado, segundo investigação prévia, porque não existem aparelhos de ar-condicionado na área de espera do hospital nem no centro cirúrgico. Além disso, não havia um leito que pudesse acomodá-lo, onde ele mantivesse a perna levantada. Por fim, não havia serra elétrica para amputar o pé do paciente. O resultado, segundo a presidenta do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem (Sinpen), Dejamir Soares, foi uma infecção generalizada, que levou à morte do homem.

Já no domingo, um paciente de 38 anos, internado após ter um ataque cardíaco, também morreu. Ainda segundo investigações prévias, ele ainda estava consciente quando chegou no Pronto Socorro, mas não foi submetido ao procedimento-padrão nestes casos. Não foi realizado, por exemplo, um procedimento básico nesse tipo de situação, a cardioversão (choques para colocar ritmo nos batimentos do coração).

“Por conta das precárias condições e da falta de leitos, a única maneira de realizar o procedimento seria pondo ele no chão. Mas mesmo assim faltaria espaço, pois o local estava superlotado”, afirma o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado, Arlan Azevedo. O homem estava na sala vermelha (emergência), lugar onde os pacientes ficam no aguardo de uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Naquela ocasião, havia 26 pessoas para apenas oito leitos distribuídos na sala vermelha.

Paralelamente à investigação do Ministério Público, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá informou que irá instaurar uma sindicância para apurar as circunstâncias em que se deram as mortes. O secretário-adjunto municipal de Saúde, Euze Carvalho, afirmou que, antes de nomear a comissão de sindicância, a SMS vai concentrar os seus esforços na transferência de pacientes para a nova ala da unidade, inaugurada nesta semana, com mais 42 leitos. Por meio de sua assessoria de imprensa, o hospital informou que irá investigar as causas das mortes.

O hospital

O Pronto Socorro Municipal de Cuiabá passou por uma reforma que durou oito meses em 2010, mas alguns problemas graves não foram resolvidos. O corredor que dá acesso à ala de emergência e urgência alaga quando há chuvas fortes, por exemplo. Além disso, em fevereiro deste ano parte do teto também desabou durante uma forte chuva. Ninguém se feriu.

Os servidores do hospital também estão sendo investidados. Há duas semanas, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu que havia venda de vagas na fila para a realização de cirurgias pelo Sistema único de Saúde (SUS). Nove servidores do hospital foram denunciados pelo Ministério Público. Jair Marra, então diretor do Pronto Socorro, foi exonerado e  denunciado pelos promotores. Marra diz que foi ele quem avisou ao Gaeco sobre a existência do suposto esquema e que perdeu o cargo injustamente.

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