Incra pede ajuda para investigar quadrilha de falsos sem-terra

No interior de Mato Grosso, organização invade fazendas, consegue desapropriação e depois vende os lotes

Helson França, iG Mato Grosso |

A superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso vai acionar o governo do Estado e o Ministério Público Federal para investigar ilegalidades e punir os responsáveis pelo comércio ilegal de terras no município de Novo Mundo (interior de MT), como foi revelado em reportagem exibida ontem pelo programa "Fantástico", da TV Globo.

Valendo-se do argumento da reforma agrária, nos últimos anos quadrilhas disfarçadas de assentados têm ocupado diversas fazendas, principalmente na região norte de Mato Grosso, para, depois de contempladas pelo governo com lotes e casas - construídas com dinheiro público -, derrubar tudo e vender a área ilegalmente.

O procurador da República Mário Lúcio Avelar chegou a afirmar que “reforma agrária no Estado do Mato Grosso é um balcão de negócios”.

Em um espaço de 2,5 mil hectares (cada hectare equivale a um campo de futebol), um lote com casa erguida chega a ser comercializado por R$ 35 mil.

O Incra gasta valores milionários com projetos de assentamentos. Num deles, de 2001, previsto para beneficiar 1.149 famílias, foram investidos R$ 2 milhões. Atualmente, devido à falta de fiscalização do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) e do próprio Incra, a área, situada em Novo Mundo, voltou a ser fazenda.

“Até 2005, entregávamos ao Incra o nome de quem vendia e o nome de quem comprava. E o que o Incra fazia? Nada. E o que sobrava para quem denunciava? Risco de morte, risco de agressões e pressão. Por isso, resolvemos mudar isso. Agora, o que o Movimento dos Sem Terra faz é cobrar o Incra que fiscalize essa situação. E o Incra continua não fazendo nada”, reclama Antônio Carneiro, da direção do MST em Mato Grosso.

O Incra informou, por meio de nota, que “repudia a ação desses indivíduos, que conturbam o trabalho da reforma agrária". O órgão disse ainda que não é apenas de sua responsabilidade a fiscalização dos assentamentos, pois esta também é a função da Intermat - que deve fazer um georreferenciamento (descrição do imóvel rural em suas características) da área nos próximos dias e analisar a situação de cada assentado.

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