Governo de Mato Grosso faz 100 dias sob a sombra do antecessor

Com apoio de Blairo Maggi, ele foi eleito e consegue audiências em Brasília. Mas também herdou suspeitas de fraudes e uma CPI

Helson França, iG Mato Grosso |

Arte/iG
Silval Barbosa (PMDB), governador de Mato Grosso
Silval Barbosa (PMDB), atual governador de Mato Grosso, foi eleito graças ao apoio recebido de Blairo Maggi (PR), que esteve à frente do Estado entre janeiro de 2003 e março de 2010, quando deixou o governo para se lançar – e vencer – a disputa para senador. Barbosa, que era seu vice, assumiu o posto e depois venceu as eleições. Durante nove meses, ele assumiu o papel de substituto de Maggi. E, no correr dos seus 100 primeiros dias, ele ainda não conseguiu se desvencilhar dessa imagem - e do programa de Maggi. 

“Foram poucas as mudanças. Ainda não dá para sentir o governo com a cara do Silval, mas aos poucos ele vai”, opinou o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva (PP).

Para o deputado Percival Muniz (PPS), o governo de Barbosa nesses primeiros 100 dias pode ser resumido como um misto da continuação da gestão de Maggi com uma vontade de autoafirmação. “Ele (Silval) privilegiou muito os partidos políticos no comando de seu governo e se enfraqueceu”, afirmou Muniz.

Turbulências

Nestes 100 primeiros dias, Silval já teve que enfrentar algumas turbulências - boa parte delas também herdada do antecessor. A criação da CPI das Pequenas Centrais Hidrelétricas tem o objetivo de fazer uma varredura na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e vasculhar se houve favorecimento às empresas do ex-governador Maggi. Ainda existem os problemas com as obras da Copa do Mundo de 2014 que, com exceção da construção do estádio, não saíram do papel.

O suposto superfaturamento do governo de R$ 44 milhões, na aquisição de maquinários, ocorrido durante o final da gestão de Maggi, também atormenta Silval. Ele, que exonerou um secretário adjunto e um superintendente do governo citados no inquérito que aponta o rombo, procura se esquivar das cobranças, alegando que não era o governador no período. O caso está sob investigação pelo Ministério Público.

Ainda que as pressões sejam grandes, o governador tem demonstrado tranqüilidade para lidar com as situações adversas. No caso da CPI, ele disse que não cogita tirar o atual titular da Sema, Alexander Maia, do cargo, e ressaltou que um dos deveres dos deputados é de justamente fiscalizar as ações do governo.

Em relação às obras da Copa, o governador conta que tem mantido conversas com a presidente Dilma Roussef (PT) e teve assegurado do governo federal, durante um encontro em Brasília com seis ministros, a liberação de R$ 384 milhões para serem investidos na área de mobilidade urbana. Maggi, mais uma vez, teve um papel fundamental: foi ele quem organizou o encontro.

Pedro Henry

Uma das atitudes do governador que mais gerou controvérsias e críticas de vários setores da sociedade foi a nomeação do deputado estadual Pedro Henry (PP) para o cargo de secretário de Estado de Saúde. Henry é suspeito de envolvimento em casos como o do mensalão, o esquema de pagamento de parlamentares em troca de apoio no Congresso, e a máfia dos “sanguessugas”, que desviava recursos públicos destinados à compra de ambulâncias. Apesar das críticas, Silval manteve sua escolha e apoiou Henry em momentos de duras críticas como, por exemplo, quando ele anunciou a instalação de Organizações Sociais para cuidar do sistema estadual de saúde.

O senador Pedro Taques (PDT) é um dos principais críticos desse modelo de gestão na saúde. “Com todo respeito àqueles que possuem opinião contrária, entendo que passar o serviço fim de saúde para Organizações Sociais é abrir as portas para a picaretagem”, disse, durante uma entrevista a uma emissora de rádio. Para Taques, a inclusão das Organizações Sociais na gestão pública acarretará a dispensa de concurso público para os médicos e dará espaço para as organizações realizarem compras sem licitação, aumentando, assim, a possibilidade de haver desvio de recursos.

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