Em Mato Grosso, exposição a agrotóxicos é 10 vezes maior

No Estado, cada pessoa fica exposta, em média, a 50 Kg de agrotóxicos por ano. No Brasil, média é de 5,2 quilos

Helson França, iG Mato Grosso |

Em Mato Grosso, cada pessoa fica exposta, em média, a 50 quilos de agrotóxicos por ano. O índice é quase 10 vezes superior à média nacional, que é de 5,2 Kg. Os dados são de estudo elaborado pelo Sindicato Nacional para Produtos de Defesa Agrícola (Sindage). O Sindage avalia exposição a agrotóxicos como qualquer contato com eles, seja por meio de alimentos, ar, terra e água.

Alguns problemas já foram detectados no Estado em virtude da aplicação descuidada dos defensivos. Em março, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) divulgou um estudo apontando que o leite materno de mulheres situadas no município de Lucas do Rio Verde (354 quilômetros de Cuiabá) estava contaminado por pesticidas.

Em parte das mulheres foi encontrada a presença de até seis tipos de agrotóxicos – alguns com o uso proibido há mais de uma década (como o DDE, por causar infertilidade masculina e abortos espontâneos).

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, o estudo não é preciso. “Não vejo que há uma alta exposição a agrotóxicos no Estado. Talvez aqui seja a região do planeta onde mais se utiliza tecnologia para a segurança, quanto à aplicação de defensivos agrícolas”, disse.

Segundo Prado, os pesticidas usados nas lavouras possuem autorização dos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente, além do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). “É tudo feito com muito critério”.

Questionado se esses licenciamentos não estariam havendo falhas na concessão dessas autorizações, que teriam permitido contaminações como a do leite materno em Lucas do Rio Verde, Rui foi enfático. “O que aconteceu em Lucas foi um absurdo. A situação tem de ser esclarecida. A aplicação de agrotóxicos lá, ao contrário da maioria das cidades, teve algo de errado”.

Para o presidente da Famato, o uso dos defensivos agrícolas pode ser reduzido com um maior investimento nos alimentos transgênicos, e em pesquisas para descobrir como deixar o agrotóxico com mais eficiência e menos toxicidade.

Agricultura orgânica

Para alertar sobre as consequências do uso de agrotóxicos, será lançada em Cuiabá a campanha “Contra os Agrotóxicos e Pela Vida”. Com a chamada “Até quando vamos engolir isso?”, a campanha quer mobilizar a sociedade e incentivar o consumo de alimentos produzidos nas pequenas propriedades e sem pesticidas.

O agrônomo Célio de Castro, coordenador da campanha, explica que a iniciativa “pretende denunciar esse modelo de agricultura que utiliza extensivamente venenos para ampliar a margem de lucro e anunciar outra possibilidade agrícola, um outro modelo, ecologicamente sustentável e à base de alimentos orgânicos”, ressaltou.

O presidente da Famato, Rui Prado, foi taxativo quanto à possibilidade de se expandir a agricultura orgânica. “Se utilizar apenas o cultivo orgânico em nível comercial, pessoas vão passar fome. Não há como se livrar de certos tipos de pragas sem utilizar agrotóxicos. A realidade é essa”, finalizou.

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