Defesa elabora recurso para absolvição de pilotos

Mesmo após condenação de pilotos do jato Legacy, advogado acredita que recurso inocentará réus de acidente com voo da Gol 1907

Carolina Garcia, iG São Paulo |

A defesa dos pilotos americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que pilotavam o jato Legacy que se chocou contra um avião da Gol causando a morte de 154 pessoas em 2006, afirmou nesta terça-feira que nos próximos dias entrará com recurso contra a decisão do juiz federal Murilo Mendes, da Justiça Federal em Sinop (MT). Em sua decisão, dada na segunda-feira (16), Mendes condenou Lepore e Paladino a quatro anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto.

De acordo com a defesa dos pilotos, representada pelo advogado Theodomiro Dias Neto, a sentença tem aspectos contraditórios e cabe ser calculada novamente. Porém, mesmo diante de uma condenação, a defesa reconhece o avanço em relação ao início do processo – quando os pilotos respondiam por seis acusações. Na sentença, eles foram inocentados em cinco.

Na decisão, o juiz afirma que ficou comprovado, por meio de perícias, que os pilotos deixaram o equipamento anticolisão desligado por uma hora e que só o religaram depois que o Legacy já havia colidido com o avião da Gol. Para a defesa, com base no recurso, esse aspecto será descartado. “Será comprovado que os pilotos não tinham qualquer indicação visual no painel da aeronave para mostrar que o aparelho seguia desligado”, enfatiza Neto.

Segundo o advogado, Lepore e Paladino receberam a sentença “de forma serena” e entendendo que ela representa avanços. “Ambos são vítimas de uma ânsia de justiça. É normal que algumas pessoas encarem isso [a condenação] como uma solução patriótica, o ato de transformar dois norte-americanos em bode expiatório”, defende.

AE
Pilotos norte-americanos falaram à Justiça brasileira por videoconferência


Pena com prestação de serviços

A decisão do juiz em transformar a pena em prestação de serviços comunitários nos Estados Unidos, numa repartição brasileira a ser ainda definida, revoltou ainda mais a Associação Familiares e Amigos do Voo 1907. A presidente da associação, Angelita de Marchi, afirma que além da “surpresa desagradável” da sentença existe a indignação de “o juiz ainda considerar que em um crime desse nível cabe uma pena com prestação de serviços”.

A acusação, representada pelo advogado Dante D'Aquino, já prepara outro recurso que também será apresentado à Justiça nos próximos dias. “Todos os familiares [das vítimas] estão revoltados, nossa expectativa estava muito além de uma sentença de quatro anos. Isso é um absurdo”, desabafa Angelina – que preside a associação após perder o marido, Plínio Luiz de Siqueira, de 38 anos, no acidente.

Outro ponto debatido pelo grupo é a postura das companhias aéreas que ainda têm os pilotos acusados nos quadros de funcionários. Até todos os recursos serem julgados, Lepore e Paladino seguem trabalhando para a American Airlines e para a empresa de táxi aéreo ExcelAire, respectivamente.

“Eu sempre viajo, sinceramente não sei o que faria caso estivesse em voo operado por um desses pilotos. Sairia de qualquer jeito. Como poderia confiar minha vida em uma pessoa que foi tão irresponsável...”, conclui.

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