Chuvas isolam 7 mil pessoas em cidade de Mato Grosso

Moradores só conseguem sair com aviões de pequeno porte. Quem tenta chegar ao município atola e tem de ser resgatado por tratores

Helson França, iG Mato Grosso |

Os cerca de 7 mil moradores do distrito de Guabira, situado na cidade de Colniza (a 1.100 quilômetros de Cuiabá), estão há pelo menos 15 dias dias isolados do resto do Estado. Devido às chuvas, a MT-206, única rodovia que dá acesso ao distrito, está intransitável. A estrada não é pavimentada e, para piorar, a ponte que separa a comunidade do município caiu.

Os problemas do isolamento estão se agravando. O estoque de alimentos e medicamentos está acabando. Não há unidade de saúde no distrito - a mais próxima é o hospital de Colniza, que só atende casos de emergência e fica a 150 quilômetros de distância.

A única maneira de minimizar esses problemas é pelo transporte aéreo, que esbarra em um problema grave: Guabira não tem pista de pouso, somente de uma estrada de terra que é improvisada para que aviões de pequeno porte possam aterrissar.

“Está muito complicado, pois cada vôo não sai por menos de R$ 2 mil. Já fizemos quatro desde que não foi mais possível chegar até o distrito por via terrestre”, contou a prefeita de Colniza, Nelci Capitani (DEM).

Tal situação fez a prefeita de decretar emergência. Ela admitiu não saber o que fazer para remediar a situação e pediu ajuda à Defesa Civil, que irá enviar equipes para o local nesta quarta. “Estou no aguardo para ver o que possam me sugerir”, disse.

O distrito de Guabira é formado por famílias que vivem da agricultura, assentadas nesta parte da cidade há 20 anos. De acordo com a prefeita, é a primeira vez que a comunidade sofre com o isolamento.

A dificuldade de acesso também atinge Colniza. Além da MT-206, a outra rodovia que permite a chegada à cidade, a MT-418, também está em estado de conservação precário. Como também não é pavimentada, os atoleiros são freqüentes nessa época.

“Tem motorista que chega a ficar três dias no meio da lama, com pouca água e comida. Somente conseguem sair do atoleiro sendo puxados por tratores”, disse Nelci. A prefeitura de Colniza não possui maquinários.

Quem tem se dado bem com os atoleiros são os fazendeiros, donos dos tratores. A solidariedade para tirar os caminhões ou veículos da lama custa de R$ 100 a R$ 200,00. “Não fossem esses tratores, a situação seria bem pior”, lamenta a prefeita.

Em 2007, Colniza ganhou o inglório título de cidade mais violenta do Brasil. O município possui 27 mil quilômetros e tem na indústria madeireira a base da economia.

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