Segundo a Polícia Rodoviária Federal, BR-364 e BR-174 registraram mais de 30 quilômetros de lentidão nesta tarde. Indígenas protestam contra portaria sobre demarcação de terras

Agência Estado

Cerca de mil índios de oito etnias bloqueiam desde as 2h desta segunda-feira (27) dois trechos de rodovias federais em Mato Grosso, as BRs 364 e 174. Os indígenas protestam contra a Portaria 303 da Advocacia Geral da União (AGU), que determina novas regras para a exploração de terras indígenas e revisão de demarcações. Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Nelson Tezolin, até as 16h, nos trechos interditados já se formavam filas de mais de 30 quilômetros.

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Os índios bloquearam o km 360 da BR-364, em Cuiabá (local denominado Aricá Mirim) , próximo à serra de São Vicente, e o km 389 da BR-174, em Comodoro, distante 677 quilômetros de Cuiabá e que faz divisa com o estado de Rondônia. Apenas veículos de emergência estão passando pelos bloqueios.

Os agentes da PRF não estão nos locais dos bloqueios. A direção da PRF em MT designou equipes para ficar antes dos pontos bloqueados para controlar o trânsito e evitar conflitos. Os agentes federais orientam os motoristas sobre o bloqueio e prováveis desvios na região.

Em Cuiabá, para fugir da manifestação, os condutores devem fazer o desvio por Chapada dos Guimarães. Não há previsão de desbloqueio das duas rodovias. "Estamos antes, cerca de quatro quilômetros, orientando os motoristas a buscarem rotas alternativas. O nosso objetivo é evitar confrontos entre os manifestantes e os motoristas e evitar que eles coloquem índios contra policiais ou vice-versa", disse Tezolin. Os maiores congestionamentos estão na 364 no sentido Rondonópolis-Cuiabá.

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A Portaria 303 é um instrumento jurídico-administrativo e estender condicionantes para todas as demais terras indígenas, decididas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Judicial contra a Terra Indígena Raposa Serra do Sol (Petição 3.888-Roraima/STF). A decisão do STF ainda não transitou em julgado e essas condicionantes podem sofrer modificações ou até mesmo ser anuladas em parte. Lideranças criticam duramente governo.

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