MT propõe moratória da pecuária para salvar floresta, diz Maggi

Por Inaê Riveras e Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - A pecuária se tornou o maior desafio ambiental para o Mato Grosso, que por isso declarou uma moratória do gado para conter a devastação da Amazônia, disse o governador Blairo Maggi na terça-feira.

Reuters |

Inspirando-se em um acordo adotado pelos produtores de soja em 2006, o Mato Grosso está convocando os frigoríficos a pararem de comprar gado criado em áreas recém-desmatadas.

O frigorífico Marfrig já aderiu à iniciativa, que tem apoio da entidade ambientalista Greenpeace.

"A moratória da soja funcionou tão bem que convoquei alguns frigoríficos para fazerem algo similar, e a Marfrig aceitou o desafio", disse Maggi, maior produtor mundial de soja, à Reuters em São Paulo, onde participou de um seminário.

A medida não é compulsória, mas as empresas que não aderirem podem perder oportunidades de negócios, segundo o governador.

Recentemente, o Greenpeace divulgou um relatório dizendo que a pecuária estava alimentando a destruição da Amazônia, já que parte da carne exportada pelo Brasil vem de fazendas onde há desmatamento ilegal recente.

O Mato Grosso usará imagens de satélites, inicialmente destinadas a monitorar a expansão da soja, para mapear a pecuária. Os frigoríficos então poderão identificar fazendas com áreas recém-desmatadas, evitando comprar gado de lá.

O Estado tem o maior rebanho bovino do país e uma das maiores taxas de desmatamento da Amazônia. O Ministério Público recomendou que os varejistas deixem de adquirir carne abatida em certas regiões do Pará, por causa de sinais de que a atividade pecuária estaria contribuindo com a devastação.

A destruição de florestas tropicais responde por cerca de 20 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, o que faz do Brasil o quarto maior poluidor do clima mundial, segundo o Greenpeace.

"Acho que podemos criar valor para a nossa companhia assinando esta moratória", disse Ocimar de Camargo Vilella, diretor de sustentabilidade da Marfrig, um dos maiores exportadores brasileiros de carne.

Maggi disse que o governo quer que os pecuaristas reduzam a área ocupada pelo gado, para que o Estado possa ampliar sua área de lavouras sem destruir a floresta.

"Cerca de 25 milhões de hectares, ou 26 por cento do nosso território, é usado para a pecuária. É uma pecuária extensiva, quase uma tragédia, um animal por hectare", disse ele.

O Estado planeja reduzir pela metade a área ocupada pela pecuária, mas sem diminuir o rebanho, e ao mesmo tempo duplicar a áreas destinada à agricultura.

Maggi disse que algumas fazendas já começaram a fazer isso, melhorando suas margens de lucro.

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