Rio de Janeiro, 7 ago (EFE).- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) prepara dez dias de mobilizações em Brasília para pressionar o Governo federal a acelerar a reforma agrária, informaram hoje dirigentes da organização.

Entre os dias 10 e 20 de agosto, cerca de três mil camponeses instalarão um acampamento na capital, onde realizarão concentrações, debates e outras atividades culturais, explicou hoje Marina dos Santos, da Direção Nacional do MST, em entrevista coletiva.

Os responsáveis pelo movimento pretendem se reunir com autoridades do Governo para pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, até o final de 2009, distribua terras a 90 mil famílias do MST que atualmente estão acampadas à beira de estradas de todo o Brasil.

Santos explicou que o Governo escolherá seus interlocutores para esta reunião, mas afirmou que o movimento não se contentará com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, principal responsável pelas políticas ligadas à reforma agrária, já que seu Ministério "não dá conta" do problema.

"O Governo tem uma dívida com o campo. O que fizeram não é uma reforma agrária, porque a estrutura de posse da terra continua igual do que há dez anos", afirmou a dirigente do MST.

O Governo diz ter assentado quase 450 mil famílias desde 2003, quando Lula assumiu a Presidência. O MST diz que 63% dessas famílias não receberam novas terras no período e que as autoridades se limitaram a entregá-las os documentos de propriedade para regularizar ocupações ocorridas em Administrações anteriores.

A representante do MST afirmou que cerca de 45 mil das famílias já assentadas, embora já tenham recebido terras, continuam sem contar com a infraestrutura básica, já que o Governo reduziu o orçamento destinado à reforma agrária "sob o pretexto da crise".

Além de pedir o assentamento das famílias acampadas nas estradas, o MST reivindicará o aumento do orçamento destinado aos programas sociais da reforma agrária e insistirá na atualização dos índices de produtividade do campo, que datam de 1975, segundo Santos.

Estes índices são utilizados para decretar as expropriações dos latifúndios considerados "improdutivos", que mais tarde são divididos e distribuídos entre os camponeses.

O Ministério da Agricultura e as entidades patronais agrícolas consideram que não restam propriedades improdutivas no país, enquanto o MST argumenta que os índices estão defasados. EFE mp/bba

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