MST ocupa sedes do Incra em sete estados

BRASÍLIA - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam nesta segunda-feira as superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em sete estados: São Paulo, Alagoas, Paraíba, Bahia, Maranhão, Ceará e Goiás. Os manifestantes exigem o assentamento das 140 mil famílias acampadas e um programa de agroindústria para assentados.

Redação |

Através do movimento, os integrantes do MST também pretendem denunciar a lentidão no processo de criação de assentamentos, as promessas não cumpridas e a prioridade do governo ao modelo do agronegócio.

AE
MST invade sede do Incra em São Paulo
A Reforma Agrária está parada em todo o país. Exigimos o assentamento das famílias acampadas e um programa de agroindústrias para nossas áreas, afirma José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST. Só a Reforma Agrária pode resolver o problema da crise do preço dos alimentos, com o fortalecimento de um modelo de produção baseado em pequenas e médias propriedades, que produzem 70% dos alimentos consumidos no país.

Reivindicações pelo País

Segundo o MST, em São Paulo, cerca de 400 militantes ocupam a superintendência regional do Incra, para exigir o assentamento das 1.600 famílias acampadas e a liberação de crédito e infra-estrutura para 700 famílias assentadas. No Ceará, pelo menos mil manifestantes reivindicam a celeridade nos processos de vistoria, desapropriação e imissão de posses para as terras ocupadas.

Em Alagoas, a ação conta com a participação da CPT (Comissão Pastoral da Terra). Mais de 80 famílias do MST ocuparam a Fazenda Carolina, no município de Teotônio Vilela, que fazia parte do patrimônio do antigo Produban (Banco do Estado de Alagoas S.A).  A ocupação denuncia que terras sob controle do Estado, como parte da dívida dos usineiros, devem ser transformada em assentamentos. Por isso, o MST pede abertura de negociação com o governo do Estado em relação a essas terras.

Já na Bahia, os trabalhadores promovem a ocupação para pressionar o cumprimento do acordo realizado em abril do ano passado, quando o MST realizou uma marcha com 5.000 pessoas entre Feira de Santana a Salvador. Na ocasião, eles foram recebidos pelo governador Jaques Wagner. O MST pede a reforma de 5.000 casas e a construção de 3.000 casas em assentamentos, a pavimentação de 1.000 km de estradas e a inclusão de aproximadamente 50 assentamentos das regiões Sul, Baixo-Sul e Extremo-Sul do MST em programa de apoio à produção de cacau.

No Maranhão, o MST pretende negociar com o governo federal um programa para a agricultura no Estado. Os trabalhadores rurais pedem audiência com representante nacional do Incra para garantir o avança das negociações. Em Goiás, os militantes querem negociar com o Incra a liberação de crédito e infra-estrutura nos assentamentos. Está prevista uma reunião com a superintendência do órgão na tarde desta segunda-feira.

O escritório nacional do Incra informou, por meio da assessoria de imprensa, que está apurando as reivindicações junto às sete superintendências ocupadas e deve divulgar uma nota oficial sobre a manifestação do MST ainda nesta segunda-feira. 

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