Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam na manhã de quinta-feira a fazenda Fortaleza de SantAnna, em Goianá, na Zona da Mata mineira, a 287 quilômetros de Belo Horizonte. A coordenação do MST em Minas alegou que a invasão tem por objetivo acelerar o processo de desapropriação do imóvel centenário, um dos símbolos do auge da elite cafeeira na região.

A Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou nesta sexta que a fazenda foi vistoriada em novembro de 2009 e considerada propriedade improdutiva.

Segundo o Incra, os donos ainda serão notificados sobre o laudo e a invasão não impede o processo de desapropriação, pois ocorreu após a vistoria. O imóvel, com cerca 4,3 mil hectares, pertence aos descendentes da família Tostes, uma das mais tradicionais de Juiz de Fora, município vizinho a Goianá.

A invasão ocorreu por volta das 5h. Os sem-terra chegaram em um ônibus e alguns carros e bloquearam a entrada da propriedade. Os integrantes do MST, com o apoio de universitários, entraram na área e começaram a montar o acampamento. As famílias de antigos colonos permaneceram no local.

A Polícia Militar foi acionada e montou um grande aparato. Várias viaturas foram deslocadas e um efetivo de cerca de 70 homens cercou a entrada do imóvel. Um helicóptero foi usado na ação. O comando da PM afirmou que os militares só iriam intervir se houvesse confronto, abate de animais ou destruição do patrimônio. Nenhum incidente foi registrado.

"A nossa reivindicação é para que o Incra dê continuidade à desapropriação da área e depois a emissão da posse", disse Vanderlei Martini, da coordenação estadual do MST.

Em nota, o movimento afirmou que a ocupação do "latifúndio" abre a jornada de lutas em Minas e foi "impulsionada pela história de trabalho escravo e de degradação dos recursos naturais". De acordo com Martini, a ocupação da Fortaleza de Sant'Anna é a terceira invasão promovida pelo MST este ano no Estado. As outras duas ocorreram nos municípios de Frei Inocêncio e Bambuí.

O advogado José Luiz La Cava de Lima, que representa os proprietários da fazenda, não foi localizado.

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