MST invade fazenda de Daniel Dantas no Pará

BELÉM - O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) invadiu, na madrugada de quarta-feira, a fazenda Maria Bonita, localizada em Eldorado dos Carajás, no Pará. A fazenda é de propriedade do grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

A Agropecuária acusa o grupo de destruir instalações, queimar máquinas agrícolas e matar animais. O MST nega e diz que foi uma ocupação pacífica. 

Conforme a assessoria do movimento, a ação faz parte de uma jornada de lutas pelo assentamento de 2 mil famílias que estão acampadas no Estado.

Desde julho, os sem-terra ocupam outra área da fazenda Maria Bonita que, segundo eles, estaria grilada (ocupada de forma ilegal). "A retomada das terras griladas está parada e os latifundiários estão utilizando milícias armadas para intimidar as famílias", critica a coordenadora nacional do MST, Maria Raimunda.

Outras 300 famílias ocupam, nesta quinta-feira, a chamada Curva do S, onde 19 integrantes do grupo foram assassinados em 1996. Eles devem permanecer no local pelo menos até o dia 13 de novembro, prazo para o fim das negociações com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

O MST acusa as mílicias, comandadas pelo grupo de Daniel Dantas, de sequestrar quatro pessoas na semana passada. A assessoria do movimento não soube dizer quem seriam essas pessoas e qual o objetivo do sequestro, apenas que "as milícias fazem isso com frequência: sequestram, intimidam, assustam e devolvem".

O movimento diz ainda que, nos últimos meses, 18 trabalhadores foram baleados por ações desses grupos. "Essas milícias são clandestinas e atuam no sentido de perseguir os trabalhadores acampados, afirma Maria Raimunda.

Como parte da jornada de lutas, o MST realizou um ato em frente à Fazenda Rio Vermelho, em Sapucaía, sul do Pará, reinvindicando a devolução da área. A rodovia PA-15 também foi palco de diversos protestos e chegou a ficar interditada na tarde de ontem.

Vandalismo e CPI

Em outubro, o MST invadiu uma fazenda do grupo Cutrale , em Borebi, interior do Estado de São Paulo. No local, onde cerca de 350 famílias permaneceram por nove dias, foram destruíram milhares de pés de laranja. Além disso, máquinas e propriedades também foram depredadas. Segundo a empresa, o prejuízo estimado com os danos passou R$ 1,2 milhão.

O episódio deu fôlego a mais para a oposição conseguir criar a CPI do MST . A comissão deve investigar o repasse de verbas públicas a entidades que teriam ligação com o MST e as denúncias de desvio desses recursos para financiar invasões de propriedades rurais produtivas e de prédios públicos.

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