Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) impediram hoje o acesso de funcionários e treminhões (caminhões com dois ou três reboques) à Usina Ester, em Cosmópolis, na Grande Campinas (SP). A usina interrompeu a moagem de cana e a produção de álcool e açúcar por cerca de quatro horas.

Representantes da Ester não quiseram se manifestar, nem foram divulgados prováveis prejuízos.

O protesto foi para forçar a abertura de uma porteira recém-instalada que impedia a passagem dos sem-terra por uma estrada que leva ao Assentamento Milton Santos, localizado a alguns quilômetros, em Americana, onde estão cem famílias desde 2006. Os trabalhadores rurais reclamaram que a estrada é pública e quebraram cadeados. A liberação dos acessos, tanto para a usina como para o assentamento, foi pacifica, mas tensa, e contou com a intermediação do prefeito José Pivatto (PT), policiais militares e executivos da empresa. Depois, os trabalhadores seguiram a marcha.

Os manifestantes são parte dos que estiveram acampados na Fazenda Salto Grande, em Americana, área arrendada pela Ester para o plantio de cana-de-açúcar. Essa foi a terceira vez que o local é invadido pelo MST. Cerca de 250 famílias estiveram na área por cinco dias e começaram ontem, horas depois de vencido o prazo para a reintegração de posse. A ocupação foi batizada de Eldorado dos Carajás, em memória ao massacre no Pará, que culminou na morte de 19 homens em 17 de abril de 1996.

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