O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) liderou hoje um protesto em frente à sede do Ministério Público Federal (MPF) no Recife contra o recrudescimento do processo de criminalização dos movimentos sociais. Apoiados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), instituições de direitos humanos e parlamentares, o MST protocolou uma carta de preocupação e repúdio ao MPF.

O exemplo do MPF do Rio Grande do Sul serviu de bandeira. "Querem cassar o movimento (MST) sob o argumento de se tratar de uma organização marxista, que insufla a baderna e a agitação social", indignou-se o deputado Fernando Ferro (PT-PE). "Esta é uma linguagem da década de 70, da época da ditadura militar." Para o MST, a ofensiva do Estado contra os movimentos sociais tem se estendido por todo o território nacional, com ataques às lutas populares, aos povos indígenas, às organizações sindicais e ao direito de greve.

O ato no MPF e um outro na sede da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Petrolina, no Sertão do Rio São Francisco, marcaram a desocupação das sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na capital pernambucana e em Petrolina, onde trabalhadores rurais sem-terra acampam desde ontem como parte da jornada nacional de luta pela reforma agrária em torno do Dia Nacional do Trabalhador Rural, comemorado hoje.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.