BRASÍLIA - Um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloqueou desde às 7h desta quarta-feira (30) o acesso de caminhões à Usina Santa Helena, do grupo Cosan, no município de Rio das Pedras, a 160 quilômetros da cidade de São Paulo. Estudantes de agronomia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP, do campus de Piracicaba, e representantes de algumas categorias trabalhistas como metalúrgicos e químicos engrossaram a manifestação. Em nota, a Cosan afirma que todos os trabalhadores da empresa são regularizados.

A Polícia Militar foi acionada pela empresa e acompanhou a ação dos manifestantes. De acordo com a capitã Adriana Cristina Sgrigneiro Nunes, comandante da operação da PM, a mobilização foi pacífica e contou com aproximadamente 150 pessoas. Segundo ela, os manifestantes deixaram o local durante à tarde.

Pelos cálculos do MST, cerca de 300 pessoas participam do ato. Nossa manifestação é pacífica e o que queremos é informar ao público a existência de trabalho escravo nos canaviais mantidos por essa empresa contra quem existem mais de cem denúncias de infrações diversas da legislação do trabalho e solicitar que as áreas onde forem constatadas as irregularidades sejam destinadas à reforma agrária, disse João Campos, um dos coordenadores do MST no estado de São Paulo.

Ele explicou que a manifestação consistiu em impedir a chegada à usina de caminhões carregados com cana-de-açúcar. Na entrada da usina, os manifestantes se revezavam em apresentações de teatro, música e pronunciamentos sobre a situação dos trabalhadores rurais em São Paulo, contratados para as lavouras de cana.

Em nota, a Cosan afirmou que todos os trabalhadores da empresa são regularizados. Todos os funcionários da Usina Santa Helena têm contratos regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e contam também com amplo plano de benefícios oferecidos pela empresa. Todos os trabalhadores migrantes são contratados regularmente de acordo com a legislação vigente e acomodados em alojamentos da própria usina, considerados referência positiva pelo Ministério do Trabalho e Ministério Público do Trabalho, diz o texto da nota.

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo pediu prazo até a próxima sexta-feira (2) para fazer um levantamento da situação trabalhista da usina.

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