MST desocupa prédio central do Ministério da Fazenda

BRASÍLIA - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam o prédio central do Ministério da Fazenda, em Brasília, entre as 9h20 e as 18h desta terça-feira. Os manifestantes começaram a deixar o local após o governo propôr uma reunião com ministros, marcada para esta quarta-feira, às 11h, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

Agência Brasil
Sem-terra no Ministério da Fazenda

Sem-terra no Ministério da Fazenda

Os manifestantes voltaram para o acampamento em frente ao estádio Mané Garrincha, onde ficam até o fim da semana. 

Mais cedo, o juiz Alaor Piacine, da 1ª vara da Justiça Federal, havia pedido a reintegração de posse, para que o protesto terminasse.

O deputado Ivan Valente (PSol-SP) esteve no local para conversar com a liderança do MST.

Segundo a PM, cerca de 2 mil pessoas participaram do ato. Eles bloquearam o acesso ao ministério e nenhum funcionário conseguia entrar no prédio ou deixar o local. Apesar da movimentação ter sido pacífica, havia manifestantes com porretes e foices nas mãos.

Os manifestantes ficaram posicionados em toda a parte térrea do Ministério e no saguão, formando uma barreira humana. Os funcionários que chegaram depois das 9h30 receberam a recomendação da Segurança do Ministério para que voltassem para suas casas. Quem entrasse ficaria por sua conta e risco, disse um segurança a alguns repórteres que conseguiram entrar no Comitê de Imprensa do prédio.

Os trabalhadores portavam faixas com frases como "Urgente: Lula, não corte o orçamento da reforma agrária". Eles também distribuíram manifesto em que pedem o desbloqueio de R$ 800 milhões do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para este ano; o assentamento imediato de 90 mil famílias, e a liberação de verbas para construção de casas, escolas e investimento em infraestrutura para os 45 mil já assentados de forma precária.

O MST informou que os sem-terra ficaram concentrados em frente ao Ministério da Fazenda porque o movimento acredita que o ministro Guido Mantega é o responsável pelo remanejamento de verbas do orçamento, incluindo os recursos destinados à reforma agrária.

A Polícia Militar não registrou nenhuma agressão e ninguém foi detido.

AE
Integrantes do MST realizam marcha em São Paulo

Integrantes do MST realizam marcha em São Paulo

Outros Estados

Os protestos do MST realizados nesta terça-feira aconteceram em 12 Estados do País. De acordo com movimento, além de Brasília, os manifestantes ocuparam sedes do Ministério da Fazenda em três Estados e superintendências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em três.

Representações do ministério também foram ocupadas em Belém, onde 850 trabalhadores do MST ocuparam uma delegacia da pasta depois de sete dias de marcha de 200 quilômetros, do município de Irituia até a capital paraense; e em Curitiba, onde cerca de 400 ocuparam uma representação no centro da cidade. Ainda na capital do Paraná, estão acampados em frente ao Incra mais de cem trabalhadores rurais.

Cerca de 1.200 trabalhadores de diversos movimentos sociais do campo atuantes no Mato Grosso ocuparam o prédio da Receita Federal, órgão do Ministério da Fazenda, em Cuiabá. Protestos em frente a representações da Fazenda ocorreram também em Porto Alegre e Florianópolis. Na capital gaúcha, cerca de mil trabalhadores da Via Campesina montaram um acampamento no pátio do Ministério da Fazenda. Já em Florianópolis, 400 trabalhadores do MST fizeram protesto em frente a uma delegacia da pasta.

Em São Paulo, os mil manifestantes do MST que chegaram nesta segunda à cidade após uma marcha de 100 quilômetros, de Campinas à capital do Estado, fizeram um protesto em frente à delegacia do Ministério da Fazenda para denunciar a política econômica do governo federal, que, segundo eles, impede a realização da reforma agrária.

Os sem-terra também organizaram uma marcha no Mato Grosso do Sul. Divididos em duas colunas, 850 manifestantes devem chegar na sexta-feira à capital Campo Grande. Com o lema "Terra, Trabalho e Soberania", a 6ª Marcha Estadual alerta sobre necessidade da reforma agrária para a construção de uma alternativa à crise econômica.

Nordeste

Cerca de 400 integrantes do MST ocuparam nesta terça-feira a superintendência do Incra em Salvador, em protesto contra os cortes do orçamento da reforma agrária e em defesa do assentamento das 28 mil famílias acampadas em toda Bahia. No Ceará, cerca de 1.500 mil pessoas estão mobilizadas e ocuparam a sede do Incra na capital. No município de Caucaia, foi ocupada uma fazenda, que segundo eles, seria improdutiva. Os sem-terra também protestaram em órgãos públicos em diversos municípios cearenses.

Em Petrolina, no sertão pernambucano, cerca de 150 famílias do MST ocuparam a sede do Incra para fortalecer as reivindicações da marcha estadual. No primeiro dia da caminhada, 2.500 trabalhadores rurais sem-terra percorreram os 12 quilômetros que separam a cidade de Pombos do município de Vitória de Santo Antão. Na chegada, eles organizaram panfletagem e uma exposição de fotos dos 25 anos do movimento. Ainda hoje, 600 agricultores de várias regiões de Alagoas se reuniram para mobilizações da jornada nacional de lutas em Maceió.

*Com informações da Agência Estado

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