MP-RJ apresentará novas denúncias na Operação Titanic

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deverá apresentar nos próximos dias um aditamento para que alguns dos 21 denunciados pela Operação Titanic respondam por crimes como evasão de divisas, sonegação fiscal, falsidade ideológica e de documentos, lavagem de dinheiro além de corrupção passiva ou ativa. Alguns dos envolvidos que tinham sido presos e não foram denunciados pelo crime de quadrilha poderão aparecer nos acréscimos, acusados de crimes como evasão de divisas, sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Agência Estado |

Contra os parentes do governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido) e o ex-senador Mário Calixto Filho (PMDB-RO), a denúncia será pelo menos por tráfico de influência. A operação atingiu uma organização criminosa que atuava na importação subfaturada de carros e mercadorias de alto luxo. Dos 23 presos - 21 na segunda-feira e dois durante a semana -, apenas oito eram mantidos na Custódia da Polícia Federal (PF) hoje à noite. Por decisão do juiz substituto da 1ª Vara Federal de Curitiba, Pedro Gomes, que contrariou os pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram libertados oito suspeitos, entre eles o dono da Tag Importação e Exportação de Veículos Ltda., Pedro Scopel, acusado de trazer automóveis subfaturados do exterior, o filho de Cassol Ivo Júnior Cassol e o sobrinho do governador de Rondônia Alessandro Cassol Zabott, acusados de tráfico de influência.

Como hoje vencia o prazo da prisão temporária de 15 dos 16 acusados que estavam presos - sete foram libertados na quarta-feira e ontem -, a PGR tomou três iniciativas: denunciou apenas pelo crime de formação de quadrilha 21 pessoas, das quais 15 estavam presas; pediu a prisão preventiva (30 dias) de 7 dos denunciados, e requisitou a prorrogação da prisão temporária (5 dias) de outros 6 presos, dos quais apenas um estava incluído na denúncia. Com isso, a Procuradoria manteria na Custódia 14 envolvidos, uma vez que Calixto Filho estava com prisão preventiva decretada.

Surpreendendo os procuradores, o juiz só concedeu a prisão preventiva daquele que é apontado como chefe do bando, Adriano Mariano Scopel, filho e sócio de Pedro Scopel na Tag Importação e Exportação de Veículos. Para os outros cinco acusados que o MPF queria manter presos preventivamente, o juiz só concordou em renovar a prisão temporária. No caso de Pedro Scopel, nem isso ele concedeu, e o empresário foi solto hoje. Já com relação aos cinco pedidos de prisão temporária, entre os quais estavam os dos parentes do governador, o juiz atendeu apenas um, contra Alessandro Stockl, assessor de Adriano Scopel.

Decisão

Com a decisão de hoje, Calixto Filho e Adriano Scopel permanecem cumprindo prisão preventiva. Calixto Filho teve hoje um habeas-corpus rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). Já Aguilar de Jesus Bourguignon (economista, diretor-operacional da Tag, apontado como braço direito de Adriano), Charles Henrique Porto Santos (fiscal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que legalizava a importação fraudulenta de anabolizantes), Edcarlos Tibúrcio Pinheiro e Max Pimentel de Almeida Marçal (auditores da Receita Federal, respectivamente em Porto Velho e Vitória), Rodolfo Bergo Legnaioli (despachante aduaneiro de Adriano Scopel), e Stockl cumprirão mais cinco dias de prisão.

Na relação de denunciados hoje, estão cinco acusados cujas prisões temporárias tinham sido pedidas pelos procuradores, mas foram negadas pelo juiz. São três brasileiros - Clenilson de Farias Dantas, Danilo Rodrigo Lemos Cremasco e Mikhail Palmeira Dantas - com negócios nos Estados Unidos que exportavam veículos e outros bens subfaturados para a Tag. Os outros dois são a auditora da Receita Federal Leisa Cristina Ortega Amaral (mulher do auditor Max Marçal) e o advogado Marco Antônio Gama Barreto, apontado como braço jurídico da organização criminosa.

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