SÃO PAULO - A Polícia Federal e o Ministério Público Federal divergiram a respeito do envolvimento de partidos políticos com a operação Castelo de Areia, que resultou hoje nas prisões de altos executivos do grupo Camargo Corrêa, além de doleiros, secretárias da empresa e mais um colaborador externo. Na tarde desta quarta-feira, ao mesmo tempo em que o delegado regional de combate ao crime organizado da PF, José Roberto Iegas, garantia não ter conhecimento, até agora, de qualquer envolvimento de partidos, a procuradora da República Karen Louise Khan disse haver, sim, indícios de doações não declaradas e irregulares a vários partidos políticos, que ela preferiu não revelar quais são. Ela informou, no entanto, que também foram identificados indícios de superfaturamento de obras públicas, das quais uma seria a construção de uma refinaria em Pernambuco.

Já o delegado da PF disse que as prisões remetem apenas aos crimes de evasão de divisas e formação de quadrilha. Iegas, porém, não descartou a existência de outros crimes, que segundo ele poderão aparecer no decorrer das investigações e na análise do material apreendido durante a operação.

A procuradora informou ainda que dados obtidos pela PF apontam que no período da investigação, nos últimos 12 meses, as irregularidades cometidas movimentaram entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Já o delegado, também optou pelo sigilo quando questionado sobre valores.

Outra divergência identificada recai sobre a distribuição dos presos. De um lado, a PF informou que foram detidos quatro diretores da Camargo Corrêa, três doleiros, duas secretárias e um colaborador externo. Já a procuradoria citou quatro doleiros, ignorando o tal colaborador.

Os executivos presos foram: Fernando Dias Gomes, diretor regimental da diretoria de auditoria e controle e membro do conselho fiscal da CPFL; Darcio Brunato, membro da diretoria de controladoria; Pietro Francisco Bianchi, engenheiro aposentado que vinha prestando consultoria para a empresa; e Raggi Badra Neto, diretor da divisão de obras públicas.

Com exceção das duas secretárias, que tiveram prisão temporária decretada, os demais envolvidos foram presos de forma preventiva.

(Murillo Camarotto | Valor Online e Yan Boechat | Valor Econômico)

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