MPF pede R$ 2,8 bi de cervejarias por danos à saúde

O Ministério Público Federal (MPF) em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, em São Paulo, entrou com uma ação civil pública contra a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), o Grupo Schincariol e a empresa Femsa pedindo uma indenização de R$ 2,8 bilhões. O MPF argumenta que houve ampliação dos males provocados pelo consumo de cerveja e chope em todo o País.

Agência Estado |

O processo é baseado em mais de um ano de investigações do MPF. Num inquérito civil público, o órgão juntou estudos e textos científicos brasileiros e de outros países para fundamentar a apuração.

O MPF relacionou entre os documentos uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com adolescentes de 12 e 13 anos de São Bernardo do Campo, no Grande ABC paulista, que chegou à conclusão de que a maioria deles presta atenção na publicidade de bebidas, muitos se identificam com ela e crêem ser verdadeiro o que afirma a propaganda.

O procurador da República Fernando Lacerda Dias, responsável pela ação, alega que as três companhias respondem por 90% do mercado nacional de cerveja e investiram quase R$ 1 bilhão só em 2007 para ampliar a venda dos produtos e os lucros. "Essas ações agressivas de publicidade refletem diretamente no aumento do consumo de álcool pela sociedade e na precocidade do consumo. Os jovens começam a beber cada vez mais e mais cedo", afirmou ele, em nota do MPF.

Segundo o processo, conforme as empresas investem mais em propaganda, aumenta o número de mortes violentas, homicídios, doenças em geral, dependência química, acidentes de trânsito, dificuldades profissionais, violência urbana e doméstica, entre outras causas. A assessoria da Ambev informou que a empresa não se pronunciará sobre o processo. A reportagem procurou o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a Schincariol e a Femsa, mas ninguém foi encontrado para comentar a ação.

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