MPF diz que Dantas e Nahas se associaram para ganhar no mercado de ações

SÃO PAULO - A investigação do Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo e da Política Federal, que culminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta na data de hoje teve como origem as investigações feitas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, sobre o caso do mensalão.

Valor Online |

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    Daniel Dantas chega à sede da PF no Rio
    Daniel Dantas chega à sede da PF no Rio
    Em comunicado distribuído hoje, o MPF não esclarece a ligação entre operações conduzidas pelo grupo de Dantas e de Nahas, apesar de dizer que eles faturaram alto no mercado de ações mediante informações privilegiadas.

    Representantes do Ministério Público e da Polícia Federal concedem entrevista neste momento em São Paulo para explicar as ações.

    A investigação resultou na decretação da prisão temporária de 22 pessoas envolvidas no esquema e de mais duas prisões preventivas por tentativa de corrupção ativa dos agentes da PF com o intuito de tentar bloquear a operação, ou retirar alguns nomes da lista de investigados. Houve ainda a ordem para realização de 56 mandados de busca e apreensão, que estão sendo cumpridos hoje.

    As prisões foram pedidas pelo MPF e pela PF e aceitas parcialmente pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. O MPF informa que os órgãos haviam pedido também a prisão do advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, mas o juiz teria entendido que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.

    O primeiro indício a ser apurado no processo foi o fato de a Telemig e a Amazônia Celular, empresas nas quais o banco Opportunity, de Dantas, tinha participação, terem sido as principais depositantes nas contas de Marcos Valério, que fazia pagamentos ilegais a deputados da base aliada.

    A partir desta informação, o MPF requereu mais investigações. A Polícia Federal, então, empreendeu uma série de diligências com autorização judicial, se valendo de escutas telefônicas e interceptação de dados, além de contar com auxílio do Banco Central.

    Feitas estas diligências, o procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelo caso e autor dos pedidos de prisão, disse ter encontrado indícios suficientes dos crimes financeiros de gestão fraudulenta, operação ilegal de instituição financeira, evasão de divisas e concessão de empréstimos vedados, além de uso indevido de informação privilegiada (insider information), lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha.

    Segundo comunicado enviado pelo MPF, a prisão do banqueiro Daniel Dantas foi decretada por causa do crime de evasão de divisas por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Ainda de acordo com o MPF, os laudos periciais da investigação apontam que tal fundo movimentou quase US$ 2 bilhões entre 1992 e 2004. O órgão não diz, no entanto, se esses recursos são frios ou não.

    Além de evasão de divisas e formação de quadrilha, o Ministério Público avalia que as investigações já permitem dizer que o grupo de Dantas cometeu também gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados (empréstimos entre empresas do mesmo grupo) e corrupção ativa.

    Foram decretadas as prisões temporárias de mais dez pessoas ligadas a Daniel Dantas: Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), Carlos Rodemburg (sócio e vice-presidente do banco Opportunity), Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade.

    Já o grupo de Nahas, segundo relato do MPF, teria cometido os crimes de formação de quadrilha, de operação de instituição financeira sem autorização, uso indevido de informação privilegiada (insider trading) e lavagem de dinheiro.

    Além do investidor, a Justiça mandou prender ainda mais nove pessoas: Fernando Nahas (filho), Maria do Carmo Antunes Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeira Bastos, os doleiros Carmine Enrique, Carmine Enrique Filho, Miguel Jurno Neto, Lúcio Bolonha Funaro e Marco Ernest Matalon.

    O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta foi preso por ter feito, com esses doleiros, operações financeiras ilegais interceptadas pela PF.

    Em relação às duas prisões preventivas por corrupção ativa, o Ministério Público informou que uma delas já foi cumprida, com a detenção de Hugo Chicaroni. Segundo o órgão, as duas pessoas teriam agido a mando de Dantas e oferecido US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito policial. A intenção era livrar ele próprio, sua irmã Verônica Dantas e Carlos Rodemburg

    Ainda segundo o MPF, o delegado relatou o fato ao juiz, que permitiu que ele continuasse negociando os corruptores para obter mais informações e provas. O grupo chegou a dar R$ 129 mil ao policial, diz o texto do Ministério Público.

    A PF e o MPF também apuram o vazamento de informações sigilosas do inquérito. Além da alegada tentativa de suborno que teria ocorrido após a obtenção destas informações, antes mesmo de a operação vir a público Dantas propôs ação, que tramita do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual pede que não seja preso por ordem da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

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