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MPF denuncia ex-diretores da Sadia por insider trading

SÃO PAULO (Reuters) - O Ministério Público Federal pediu nesta quarta-feira a abertura de uma ação penal contra dois ex-executivos da Sadia e um ex-executivo do banco ABN-Amro por usar informações privilegiadas sobre uma oferta de compra da Perdigão pela Sadia, em julho de 2006, para lucrar no mercado de ações dos EUA. Segundo o MPF, trata-se da primeira denúncia oferecida no país contra executivos por esse tipo de fraude no mercado de capitais, conhecida como insider trading.

Reuters |

A procuradoria denunciou o diretor de Finanças e um membro do Conselho de Administração da Sadia na época, além do ex- superintendente executivo de empréstimos estruturados do banco ABN-Amro.

Em comunicado, o MPF informou que a oferta da Sadia pela Perdigão ocorreu em 16 de julho de 2006, com edital publicado no dia seguinte. Segundo o MPF, os três denunciados "participaram das discussões e tratativas visando elaboração da oferta ao mercado e obtiveram informações privilegiadas".

Segundo o MPF, as compras de ações da Perdigão por um dos executivos da Sadia começou a ser feita cerca de três meses antes, em 7 de abril de 2006. Ele teria comprado ao todo 45.900 ações.

Em 21 de julho, após a recusa da Perdigão à oferta da Sadia, o executivo teria vendido 15.300 ações, lucrado 58,5 mil dólares com a operação.

Outro executivo da Sadia teria efetuado quatro operações de compra e venda de ações da Perdigão na bolsa de Nova York mediante informações privilegiadas, lucrando 139,1 mil dólares ao todo.

Já o diretor do ABN-Amro teria adquirido ações da Perdigão ao saber que a instituição onde trabalhava avalizaria a oferta da Sadia pela Perdigão, em 20 de junho de 2006. Na data da publicação do edital da oferta, ele teria vendido as ações, lucrando 51,6 mil dólares com a transação, segundo o MPF.

Se condenados, os executivos podem pegar penas de 1 a 5 anos de prisão e multa de até três vezes o valor que lucraram com o delito.

O MPF informou que todos eles foram demitidos de seus cargos e que o caso já teve punição adminstrativa em 2007 no âmbito da Securities Exchange Comission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais nos EUA.

No Brasil, os dois executivos da Sadia foram punidos pela CVM e estão proibidos de exercer cargos de administrador ou conselheiro fiscal de companhia aberta por cinco anos. Cabe recurso.

Já o ex-superintendente do ABN-Amro fez proposta de pagamento de 238 mil reais ao órgão e teve seu processo administrativo arquivado.

(Por Fabio Murakawa)

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