SÃO PAULO - Em nota, o Ministério Público Federal (MPF) afirma que teria provas documentais que poderiam confirmar o conteúdo das interceptações telefônicas que deram origem às investigações da Operação Castelo de Areia. O MPF afirma que, pelo confronto entre as interceptações telefônicas e o material apreendido in loco, seria possível comprovar um esquema de evasão e lavagem de dinheiro de doleiros e executivos da Camargo Corrêa.

De acordo com a nota, os documentos apontam que o doleiro Kurt Paul Pickel coordenava as operações que eram executadas, na prática, por três executivos da construtora Camargo Corrêa e quatro doleiros. Apenas em um dos documentos encontrados na busca haveria registros de remessas de mais de US$ 30 milhões etuadas por tais doleiros.

Para a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, autora da denúncia, as buscas e apreensões realizadas nas casas e nos endereços comerciais dos acusados permitiram a apreensão de uma "farta gama de provas", que comprovaria "a existência de articulada e sofisticada organização criminosa operada por doleiros e diretores da empresa Construções e Comércio Camargo Corrêa para a prática de atividades de câmbio ilegal paralelo, inclusive dólar cabo, evasão de divisas, fraude contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

O esquema

Segfundo a MPF, o principal esquema de evasão, câmbio ilegal e lavagem seria um sistema de importação de softwares pela Camargo Corrêa, por meio de supostos contratos de câmbio firmados com as empresas Admaster Participações, Unibanco e Banco Central, mas sob aparente legalidade.

Na prática, entretanto, afirmam que haveria simulação de importações e os pagamentos seriam feitos sob ordens dos diretores da construtora para a empresa Surpark no Uruguai, pertencente a um dos doleiros integrantes do grupo.

A partir da Surpark, as quantias seriam remetidas pelos doleiros integrantes do esquema, via dólar-cabo, para outros países, por ordem de Pietro Bianchi, Fernando Dias Gomes  e Dárcio Brunato, diretores da construtora, com suposto destino a contas particulares dos diretores, da empresa ou do grupo. 

O MPF explica que "dólar-cabo" é uma operação ilegal de câmbio em que o dinheiro é remetido via compensação, sem transferência física e sem controle dos órgãos estatais.

A Operação Castelo de Areia aponta a empresa Admaster Participações como provável "laranja" das operações de importação.
Segundo as investigações,  teria sido firmado um contrato entre a companhia e a Soft Consultoria Ltda para fornecimento de softwares como forma de ocultar serem os executivos da Camargo Corrêa os verdadeiros autores das remessas. Para simular a importação, a Soft teria contratado a Admaster, que formalmente importava os produtos da Surpark, com sede no Uruguai. A partir daí, o dinheiro seria remetido via-cabo para a Surpark Cayman e, de lá, para vários países da Europa, Ásia e África.

De acordo com as investigações, cabia à Pickel a indicação de contas no exterior para as devidas remessas e compensações dos valores a serem creditados ou debitados em contas no exterior. A contabilidade paralela dessas operações teria sido encontrada pela PF nas operações de busca realizadas.

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