O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu processo administrativo contra o governador interino do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), por suspeita de irregularidade na declaração de renda entregue por ele à Justiça Eleitoral quando se candidatou a deputado distrital, em 2006. O processo foi aberto a partir de uma representação apresentada pelo ex-presidente do PT-DF, Chico Vigilante.

Reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo diz que Wilson Lima usou recursos próprios, da ordem de R$ 195 mil, para fazer sua campanha, em 2006. O valor é 55% maior do que o salário anual de deputado distrital.

Não é crime, segundo a lei eleitoral, um candidato doar para a própria campanha valores maiores que seus rendimentos. Mas, para justificar o dinheiro usado na campanha, Lima disse à reportagem que vendeu alguns veículos, entre eles um micro-ônibus branco, que, segundo o governador interino, foi adquirido por Edilair da Silva Sena, ex-diretora de Recursos Humanos da Câmara. Ela, porém, negou ter comprado o micro-ônibus.

Wilson Lima, eleito deputado distrital em 2006, era presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal quando o então governador interino, Paulo Octávio, renunciou ao cargo, há mais de um mês. Desde então, Wilson Lima vem exercendo o mandato provisoriamente.

Na avaliação do procurador regional eleitoral, Renato Brill de Góes, "pairam dúvidas" em relação à declaração de bens apresentada por Lima à Justiça Eleitoral. Dessa declaração consta apenas, segundo o procurador, um veículo financiado no valor de R$ 14 mil. Góes questiona, em ofício encaminhado ao governador, se o veículo financiado não seria o tal micro-ônibus e pede informações detalhadas sobre a compra e a venda.

Além de Wilson Lima, a servidora Edilair da Silva Sena também terá de prestar esclarecimentos ao Ministério Público Eleitoral no prazo de dez dias. A Assessoria de Imprensa do governador informou que ele ainda não foi notificado e afirmou que, em 2006, todas as contas do então deputado distrital foram aprovadas sem ressalvas.

Se o procurador Renato Brill de Góes considerar que Lima fraudou a prestação de contas, pode pedir abertura de ação contra ele no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

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