A Procuradoria-Geral da República vai analisar se a Polícia Federal agiu para favorecer o secretário nacional de assuntos institucionais do PT, Romênio Pereira, suspeito de envolvimento com integrantes da quadrilha especializada em fraudar obras públicas desmantelada na Operação João-de-Barro. A PF teria alegado dificuldades técnicas para não interceptar, mesmo com autorização judicial, o ramal utilizado pelo petista na sede do partido.

Em caso positivo, poderá ser aberto inquérito específico para casos de suspeita de prevaricação, quando a autoridade deixa de realizar ato de ofício de sua competência para favorecimento de terceiros.

Por meio da assessoria, o procurador-geral, Antônio Fernando de Souza, informou que ofereceu a denúncia contra os envolvidos nas fraudes da João-de-Barro com base nos elementos apresentados pela PF e em nenhum momento viu razão para duvidar da boa fé da instituição. Ele vai analisar a representação do PSDB tão logo ela seja apresentada, para verificar se há algum dado concreto ou indício de irregularidade na conduta da PF que mereça ser investigado.

Requerimento pedindo a investigação foi entregue ontem pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) à cúpula do partido. Para o deputado, a PF teria sido facciosa ao não cumprir a ordem judicial, um fato a seu ver "muito grave". A PF alegou problemas técnicos para não fazer o grampo, mas negou que tenha se curvado a pressão política de qualquer tipo. "A PF investiga fatos e não pessoas", alegou a entidade em nota oficial. Explica ainda que as investigações da operação alcançaram indistintamente prefeituras administradas por diferentes partidos, inclusive da base do governo. Isso, conforme a nota "demonstra a independência" da atuação da PF, que "tem seu trabalho pautado unicamente em preceitos legais e constitucionais".

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