MP processa Rede TV! por entrevistar Eloá e Lindemberg

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal de São Paulo entrou com uma ação nesta segunda-feira contra a Rede TV! por entrevista com a adolescente Eloá Cristina de Oliveira e com o ex-namorado dela, Lindemberg Alves, e quer uma indenização de R$ 1,5 milhão para a sociedade por utilizar imagem da menor sem autorização judicial e transformar em espetáculo midiático o sequestro da jovem. Eloá acabou assassinada pelo ex-namorado.

Agência Estado |

Acordo Ortográfico A ação civil pública é por pagamento de danos morais coletivos de R$ 1,5 milhão, equivalente a 1% do faturamento bruto anual da emissora, ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, por exibir entrevista.

O programa "A Tarde é Sua", com apresentação de Sônia Abrão, exibiu duas entrevistas, uma ao vivo e outra gravada, com Eloá e Lindemberg, interferindo na atividade policial em curso e colocando a vida da adolescente e dos envolvidos na operação em risco, segundo MPF.

A Rede TV! afirmou que a ação é "uma forma velada de censura". A emissora disse: "Não temos ciência dessa ação. Assim que notificados, iremos nos manifestar. Porém, a RedeTV! defenderá sempre a liberdade de expressão e o não cerceamento do direito do jornalismo informar os telespectadores considerando, portanto, essa iniciativa do Ministério Público Federal, uma forma velada de censura".

Entenda o caso

O sequestro começou em uma segunda-feira, dia 13 de outubro, em Santo André (SP). Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante.

No dia seguinte, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira (16). Seu retorno foi pedido pelo sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, se tornou refém também.

Arquivo pessoal

Arquivo Pessoal

Nayara e Eloá em foto de arquivo pessoal

Pouco antes do desfecho do sequestro, a equipe do Batalhão de Choque da PM estava posicionada no apartamento ao lado onde estavam Lindemberg e as reféns. De acordo com a polícia,  na sexta-feira (17), os agentes decidiram invadir o apartamento após ouvirem um disparo.

Os policiais arrombaram a porta do apartamento e explodiram uma bomba de efeito moral. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, neste momento a equipe ouviu três disparos vindos de dentro do apartamento.

Ao invadirem o local, exatamente às 18h08, os policiais encontraram o sequestrador de pé, entre a sala e a cozinha. Eloá estava caída baleada na cabeça e Nayara estava com um ferimento na boca.

A primeira a sair do apartamento foi Nayara, que saiu caminhando e foi colocada numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Lindemberg foi levado para uma viatura da Força Tática. A ex-namorada de Lindemberg saiu carregada por um policial e foi levada numa maca até a ambulância do Samu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

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