MP entrega à Justiça pedido de prisão preventiva dos 11 militares

RIO DE JANEIRO ¿ O Ministério Público Estadual encaminhou ao juiz Sidney Rosa, da 3ª Vara Criminal, o pedido de prisão preventiva dos 11 militares envolvidos com a morte dos três jovens no Morro da Providência, no Rio. Os acusados foram indiciados nesta quinta-feira pelo delegado da 4ª DP (Praça da República), Ricardo Dominguez, por triplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e por ter dificultado a defesa das vítimas). Os militares poderão ser condenados a até 30 anos de prisão.

Redação |

"Todos tinham conhecimento do resultado que aconteceria com a entrega dos jovens aos traficantes. Houve tempo para que tomassem uma atitude, nem que fosse avisar o comando superior", afirmou Dominguez.

De acordo com o delegado, não houve confirmação sobre como aconteceu o contato prévio com os traficantes do Morro da Mineira, na zona norte da capital fluminense, mas ele está certo de que houve uma comunicação entre os criminosos e os militares.

Ele afirmou que não pediu a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos, mas lembrou que isso pode acontecer durante o processo judicial. "É importante, mas não fundamental, disse. Os telefones celulares dos militares foram recolhidos pelo Exército para tentar esclarecer alguma possível ligação com os membros da Amigo dos Amigos (ADA), que controla o Morro da Mineira.

Dominguez disse ainda que "está evidente a ligação deles com o tráfico". Ele acredita que o elo seria o soldado José Ricardo Rodrigues, cuja família mora em uma favela do Complexo de São Carlos. Rodrigues, que é de outra companhia, foi chamado pelo tenente Vinícius Ghidetti para servir de guia até o Morro da Mineira.

Decisão da Justiça

No início da noite desta quarta-feira, a juíza da 18ª Vara Federal, Regina Coeli de Medeiros de Carvalho Peixoto, decidiu pela retirada imediata das tropas do Exército do Morro da Providência , na área central do Rio de Janeiro. Pela decisão da Justiça, ela mantém o corpo técnico militar que atua nas obras do Projeto Cimento Social, mas a proteção aos equipamentos e funcionários deverá ser feita pela Força de Segurança Nacional (FSN).

AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em junho de 2004 pelo Ministério da Justiça, para atuar nos Estados em situações emergenciais. Ela é comandada pela Secretaria Nacional de Segurança e reúne os melhores policiais dos Estados e da Polícia Federal.

Os integrantes da tropa, porém, não deixam de atuar nas instituições de origem. Após um treinamento de duas semanas, os policiais retornam para trabalhar em seus Estados e permanecem em prontidão para uma possível convocação. Depois de encerradas as operações especiais, são dispensados e voltam aos seus Estados.

"Ato insano"

Agência Estado
"Judas" com farda foi colocado na Providência
Nesta quarta, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que a morte dos três jovens na cidade do Rio de Janeiro, foi um ato insano .

Antes da decisão judicial, Lula não havia descartado a hipótese do Exército desocupar a comunidade, porém afirmou que teria cautela na decisão.

Se for necessário, sai. Mas isto nós vamos discutir com calma. Temos que ser cautelosos, não é por causa de um erro gravíssimo e abominável que temos que tomar medidas precipitadas.

Jobim, visitou, na terça-feira o Morro da Providência e evitou falar sobre eventual retirada. O ministro enfatizou no entanto que as obras do PAC têm que continuar e disse que o Exército não deixaria o local imediatamente .

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no último sábado e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

Leia também:


Leia mais sobre: violência no Rio

    Leia tudo sobre: exercitomorteriotorturaviolência

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG