MP descobre divisão de propina da máfia da CNH

Marcus Vinícius Coelho, o Marcão, ligado ao ex-chefe de gabinete do deputado estadual Campos Machado (PTB), recebia gorda fatia da propina arrecadada pela máfia das CNHs. Documentos apreendidos pela Operação Carta Branca mostram que ele ganhava mais do que o delegado Juarez Pereira Campos, titular de Ferraz e apontado até então como um dos chefes do esquema.

Agência Estado |

Ele é funcionário da Prefeitura de Ferraz, emprestado à Ciretran da cidade.

A descoberta sobre como era feita a partilha ocorreu ontem, pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado, de Guarulhos, e pelos corregedores da Polícia Civil. Os valores entregues a Marcão deixaram intrigados os investigadores. Ele era dono de uma senha usada para registrar candidatos a motorista. Cada um que queria comprar a CNH pagava R$ 110 para fraudar o exame prático e R$ 200 pelo teórico.

A contabilidade era feita pelo investigador Aparecido da Silva Santos. Em sua casa, foi achada a agenda com registros dos pagamentos semanais. Juarez ficava com 25%. O delegado Fernando José Gomes, diretor da Ciretran, recebia cerca de 40%. Em 27 de fevereiro, há registros de pagamentos de R$ 3,5 mil para Juarez e R$ 8,6 mil para Gomes. Em 13 de março, Juarez ganhou em torno de R$ 3 mil e Marcão, R$ 5 mil. Em 20 de março, a agenda registra para Marcão o valor de R$ 9,5 mil.

As relações com Marcão levaram à exoneração de Carlos Alberto de Carvalho Thadeo, o Professor Thadeo, da chefia de gabinete de Campos Machado. Thadeo ocupava o cargo havia 20 anos, até pedir demissão na semana passada. Ele foi surpreendido em escutas que levaram à deflagração da operação, que resultou na prisão de 20 acusados. Thadeo se relacionava com o empresário Nasser Abdel Hadi Ibrahim, suspeito de envolvimento na lavagem do dinheiro da quadrilha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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