SÃO PAULO - O Ministério Público de São Paulo informou, nesta segunda-feira, que o promotor Francisco Cembranelli oferecerá amanhã denúncia contra Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella. O casal é suspeito de asfixiar e jogar pela janela do 6° andar do edifício London, na zona norte da capital, a menina, de apenas 5 anos. A polícia já havia indiciado o casal por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e sem chance de defesa da vítima). O promotor também deve se pronunciar sobre o pedido de prisão preventiva dos dois.

Isabella Nardoni em foto de arquivo

No período da tarde, após a entrega da denúncia, o promotor deverá conceder entrevista coletiva à imprensa.

A aplicação da qualificadora (circunstância que torna o crime mais grave e amplia a pena) sobre a defesa da vítima é controversa nesse caso. Há quem considere que só o fato de ser uma criança já dificultaria a defesa. Por outro lado, juristas argumentam que essa qualificadora não depende da vítima - e sim da ação do criminoso.

Cembranelli também não tem obrigação de abordar o motivo do crime na denúncia - o que ele precisa é comprovar que aconteceu um fato, quem foram os autores e quem fez exatamente o quê na noite do assassinato. O homicídio e o meio cruel são situações objetivas, comprovadas pelos laudos produzidos pelos Institutos Médico-Legal e de Criminalística. A denúncia é a peça-chave do processo criminal. Toda a defesa e a produção de novas provas serão feitas com base nas acusações feitas pelo promotor.

O promotor também decide amanhã se endossa ou não o pedido de prisão feito no relatório final pela delegada assistente do 9º DP (Carandiru), Renata Pontes. O documento segue para o juiz do 2º Tribunal do Júri Maurício Fossen.

Exame indica sangue na faca e na tesoura

Exames realizados na faca e na tesoura utilizadas para cortar a tela de proteção do apartamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá apresentam indícios de sangue, provavelmente da mão do assassino. Isso consta dos laudos do Instituto de Criminalística (IC) sobre a morte da menina Isabella. No entanto, a exemplo de outras dez amostras retiradas pela polícia, não foi possível estabelecer identificação por DNA.

Em análise macroscópica, não foi possível nem observar a presença de nenhum material nos objetos, mas um exame mais detalhado confirmou a existência do sangue. A perícia já concluiu que o sangue encontrado na tela de proteção do quarto dos irmãos de Isabella é da menina.

Os laudos necroscópicos do Instituto Médico Legal (IML) ainda revelam que a maioria dos ferimentos causados à menina ocorreu antes de ela ser jogada da janela - incluindo o ferimento no pulso. Por causa da queda, a menina sofreu uma lesão na bacia e politraumatismo.

Relatório contém equivocos, diz jornal

A Polícia Civil de São Paulo incluiu informações equivocadas e omitiu outras no relatório enviado à Justiça sobre o assassinato da menina Isabella Nardoni, segundo informações do jornal "Folha de S. Paulo".

De acordo com a publicação, a delegada Renata Pontes informa em seu relatório que o coordenador em segurança Waldir Rodrigues de Souza, morador do prédio vizinho ao London, ouviu uma grande discussão entre uma mulher e um homem, supostamente do casal Nardoni, momentos antes de escutar gritos sobre a queda de Isabella no jardim do edifício.

No documento enviado à Justiça, a policial descreve que o morador afirmou ter chegado em seu apartamento às 23h30. Na íntegra do depoimento de Souza, no entanto, é possível verificar que ele disse ter chegado às 21h30 ao apartamento.

Ainda segundo a "Folha", o vizinho afirmou que briga ocorreu por volta "das 23h", "durou cerca de 15 minutos", e que ouviu uma mulher dizendo "jogaram a Isabella do sexto andar" tendo "visto claramente o horário no relógio que indicava 23h23".

Porém, segundo o relatório, o carro da família Nardoni, um Ford Ka, desligou seu motor na garagem do edifício London às 23h36m11. A menina foi jogada ao gramado, ainda segundo a polícia, às 23h49m19, ou 26 minutos após o horário que Souza relatou.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Jatobá.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas e em entrevista ao programa "Fantástico", da TV Globo, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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