SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual iniciou, nesta quarta-feira, o acompanhamento das investigações sobre a morte do bebê Gabriel dos Santos Ribeira, que ocorreu na última sexta-feira na creche Pedacinho do Céu, localizada na Vila Medeiros, na Zona Norte de São Paulo.

A promotora designada para acompanhar o caso, Cinthia Maria Schiavoni Gruber, ouviu nesta quarta-feira a proprietária e sete funcionários da creche, em depoimentos dados no 90º DP (Parque Novo Mundo).

Na quinta-feira, os médicos que atenderam o bebê no hospital deverão ser ouvidos. Segundo Cinthia, a perícia da creche deverá ser pedida, por ser elemento "fundamental" para o esclarecimento do caso, assim como o laudo do Instituto Médico Legal.

Júlio César Ribeiro, pai do bebê Gabriel, que morreu de parada cardiorrespiratória após ter almoçado na última sexta-feira, também compareceu à delegacia onde a dona da creche Pedacinho do Céu, Suzana Aparecida Leão e suas funcionárias, prestaram depoimento sobre a morte do menino nesta quarta-feira. Ribeiro afirmou que acredita que os advogados da dona da creche possam ter adulterado a ficha do menino, que, segundo ele, relatavam os problemas do menino.

O pai afirmou que foi um erro da polícia deixar a ficha com os advogados, já que o caderno seria facilmente adulterado e deveria ter sido guardado pela polícia. Ribeiro reafirmou que sua mulher colocou todas as informações de saúde de seu filho na ficha, mas que o refluxo não seria o maior problema com as pessoas do hospital. Segundo ele, o pior seria que havia ninguém olhando seu filho quando ele engasgou.

Ribeiro contou que saiu às 14h do trabalho, tocou a campainha da creche às 14h15 e o resgate teria somente sido acionado às 14h18, após sua chegada. É um absurdo, só perceberam que ele estava passando mal quando cheguei, ou seja, não tinha ninguém olhando. Ninguém olhou meu filho agonizando, disse.

Sobre a saúde de seu filho, ele disse que a criança passou por uma cirurgia aos seis meses para a retirada de um 6º dedo na mão e saiu do hospital no mesmo dia, saudável. "Gabriel tinha 9 quilos e comia muito bem e seu refluxo estava controlado", afirmou.

Versões para o caso

Os pais alegam que houve negligência por parte dos empregados já que, segundo eles, quando a criança foi entregue à creche estava bem de saúde. Segundo a mãe do bebê, Gabriel foi entregue às 11h à escola e estava feliz, contente e sem nenhuma doença.

A direção da creche nega as acusações e classifica o caso como "fatalidade". Por meio de nota, ela informa que a "escola (...) é personagem de uma fatalidade". "As escolas legalizadas como a nossa, passam por avaliações freqüentes dos inspetores da prefeitura que constatam a conformidade de nossas práticas", destaca a creche.

"As acusações à escola como pré-ciência de maus tratos, má qualidade de alimentação, falta de funcionários, dentre outras barbaridades que estão sendo veiculadas, se analisadas com um pouco de bom senso e razão, percebe-se que não encontram respaldo e são fruto de oportunismo e falta de sensibilidade", acrescenta, por meio de nota. ( leia a íntegra )

Segundo a família, a morte do bebê só foi constatada quando o pai foi buscá-lo. Ele conta que esperou por cerca de 5 minutos até uma funcionária avisá-lo que Gabriel "estava roxo". Júlio chegou a levar o filho para um hospital, mas, após tentativa para reanimar a criança por 40 minutos, ela não resistiu e morreu.

De acordo com a família, durante os procedimentos para reanimar Gabriel, os médicos encontraram restos de alimentos no bebê, o que dificultou a entubação.

A creche destaca que adotou todos os procedimentos necessários de segurança com Gabriel "como alimentação e descanso na posição vertical e arroto, por exemplo". Ainda em sua defesa, a creche informou que comunicou ao Corpo de Bombeiros e reiterou que a morte da criança foi uma fatalidade.

Com informações de Livia Machado, do Último Segundo

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