RIO DE JANEIRO - O motorista Roberto Costa Júnior, de 28 anos, suspeito de ter assassinado o empresário Arthur Sendas, no último dia 20 de outubro, continuará preso na Polinter. O Ministério Público entrou com um recurso junto ao Tribunal de Justiça do Rio, no início da madrugada desta sexta-feira, contra a decisão do juiz Wilson Marcelo Kozlowski Júnior, do 1º Tribunal do Júri da Capital, que determinava que o motorista responderia o processo em liberdade. O desembargador Paulo de Tarso Neves, durante o plantão noturno, acolheu o recurso do MP, deferiu liminar e decretou a prisão preventiva do réu até o seu julgamento.

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"Com efeito, ao contrário do que expressou o juízo monocrático, o réu, após a prática criminosa, comportou-se como foragido, já que sua apresentação somente se verificou após a decretação da prisão temporária, reconheço, pois é público e notório, da enorme repercussão que o brutal homicídio alcançou. Portanto, o motivo de se assegurar a aplicação da lei penal se faz presente", escreveu o desembargador Paulo de Tarso na decisão.

Paulo Toscano

Roberto durante seu depoimento à polícia

No recurso apresentado, o Ministério Público alegou que Roberto Costa Júnior demonstrou "frieza e desprezo pela vida humana". Segundo o órgão, os motivos reais do crime ainda não estão esclarecidos. O MP acredita que o réu em liberdade poderia trazer riscos para a instrução criminal, já que ele conhece várias testemunhas de acusação.

No próximo dia 26, Roberto voltará ao tribunal para ser interrogado. Na mesma audiência serão colhidos os depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa.

Liberdade

Ontem, o juiz Kozlowski decretou a liberdade de Roberto baseando-se nos fatos do réu não ter se comportado como foragido e ter se apresentado voluntariamente à polícia, não criando qualquer obstáculo para as investigações. O magistrado lembrou ainda que o motorista entregou para a perícia a arma que seria a do crime.

Em sua decisão, o magistrado declarou que o motorista é réu primário, tem bons antecedentes e foi descrito por testemunhas como uma pessoa tranquila e com boa conduta, tendo conseguido estar na presença do empresário, em altas horas da noite, sem ser impedido por qualquer um dos seguranças e até mesmo o porteiro.

Denúncia

Na última terça-feira, o MP já havia oferecido denúncia ao 1º Tribunal do Júri contra o suspeito pelo homicídio de Arthur Sendas. Segundo a denúncia, Roberto agiu consciente e voluntariamente, com intenção de matar, ao atirar contra o patrão.

Para o promotor de Justiça, Marcos Kac, o crime foi cometido por motivo fútil, já que o autor pensou que seria dispensado do serviço pelo empresário. De acordo com o promotor, o réu ainda dificultou a defesa da vítima, que tinha mais de 60 anos.

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