O motorista Carlos Alberto de Souza, de 57 anos, que dirigia a van escolar em que morreram quatro alunos do Colégio Pedro 2º, já havia sido multado duas vezes por excesso de velocidade e uma vez por transporte escolar ilegal. Indiciado por quatro homicídios culposos (sem intenção) e seis lesões corporais culposas, hoje ele foi libertado por força de um habeas-corpus.

Souza pediu perdão às famílias das crianças que transportava e negou culpa no acidente, em que seu veículo se chocou contra um reboque. Dos seis alunos feridos, quatro permanecem internados. Um deles em estado gravíssimo.

Abatido e emocionado, Souza referiu-se aos alunos como seus "anjinhos". "Tem crianças ali que eu transportava há 8 anos e eu os tinha como meus filhos. Vi estas crianças crescerem", afirmou.

Souza contou que estava na pista do meio da Linha Vermelha e foi para a esquerda. Ele tentava voltar para pista central, quando um ônibus teria se antecipado. "O ônibus acabou me pressionando e eu tive que voltar rapidamente para a esquerda. Dei de cara com o reboque. Não deu tempo nem de frear. Foi horrível para mim. Tirei algumas crianças do carro, mas depois não deixaram eu mexer mais. Foi muito triste. Peço perdão a quem teve as suas perdas, gostaria que o tempo voltasse para trás, mas eu não posso, infelizmente".

Em depoimento à polícia, Souza disse que trafegava a 40 quilômetros por hora e que o pisca alerta do reboque não havia sido acionado. A informação é contestada pelo motorista do reboque e pelo motorista do veículo, que chamou o socorro. Souza disse ainda que pagava R$ 76 mensais para fazer parte do cadastro da Associação de Pais do Pedro 2º.

A direção do colégio informou que não sabia que havia cobrança de cadastro e decidiu convocar uma reunião para debater o transporte escolar. "O transporte escolar é feito por contrato particular entre os pais e os motoristas. O Pedro 2º não tem qualquer responsabilidade por esse serviço", afirmou o diretor Gentil Machado.

Os corpos das quatro crianças mortas no acidente - Raiane da Silva Souza, de 14 anos, Esther Reis Fernandes da Rocha, de 8 anos, ambas filhas únicas, Vinícius Lopes da Silva, de 11, e André Lucas Couto Teles, de 7 - foram enterrados na tarde de hoje. Entre as crianças internadas, o caso mais grave é o de Mateus Couto Teles, de 8 anos, irmão de André Lucas. Ele está na UTI dos Hospital Miguel Couto e corre risco de morte. O menino respira com auxílio de aparelhos e teve traumatismo craniano e múltiplas fraturas pelo corpo.

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