No sábado o diretor Antunes Filho fez 80 anos. Como esperado, fugiu de homenagens.

Assim, impediu que o trio realizador do Tempo Festival das Artes, uma primeira etapa do que promete ser um bem programado festival internacional de artes cênicas do Rio, fosse aberto oficialmente hoje com um encontro entre Antunes e Fernanda Montenegro. "A gente queria reuni-los pela coincidência de ambos terem completado 80 este ano e, claro, por tudo o que eles representam e poderiam falar sobre teatro", diz César Augusto, integrante da Cia. dos Atores dirigida por Enrique Diaz, e um dos realizadores da mostra. Nem Fernanda nem Antunes estarão presentes. Mas a obra desse diretor abre hoje o chamado 1º tempo do evento, cuja 2ª etapa está prevista para abril.

A "Mostra Antunes Filho" é o carro-chefe da intensa programação concentrada em três dias no Espaço Cultural Oi Futuro, no Rio, a partir de hoje. Aos que puderem acompanhar será dado o privilégio de ver parte relevante de sua criação exibida na tela. Isso mesmo. Hoje serão projetados dois filmes com imagens de "Macunaíma", de 1978, que no Dicionário do Teatro Brasileiro, editado pela Perspectiva, consta como ‘marco’ inaugural do pós-modernismo no teatro nacional. Os espetáculos do Antunes foram filmados? "Confesso que nem eu sabia disso", diz César Augusto. "Não são filmes como os grupos vêm fazendo atualmente, com o intuito de criar uma terceira linguagem, nem cinema, nem teatro filmado. São mesmo registros das peças", observa. Mas sem dúvida se configuram material de grande importância histórica, sobretudo para os muitos que não viram na época.

"Antunes nos cedeu um bom acervo, de diferentes fases de sua criação", diz César. "Tem Macunaíma, um marco evidente, tem Toda Nudez e A Falecida que fazem parte das grandes montagem de Nelson Rodrigues da década de 80, tem um Jorge Andrade (Vereda da Salvação) e ainda uma criação recente, Senhora dos Afogados." Mas não se trata de mera "substituição" ao encontro não realizado e sim de uma mostra coerente com o conceito desse ‘1º tempo’, que é preparar o espectador para o que virá. "O teatro de Antunes estará na programação do 2º tempo, em mais de uma montagem. Não gosto da palavra ‘formar’; a ideia é que essa primeira etapa ‘informe’ o espectador sobre a cena que ele vai ver em abril."

Com esse mesmo intuito os realizadores - César, Bia Junqueira e Marcia Dias - estão trazendo da França o teórico Emmanuel Wallon, um dos mais prestigiados mestres da Sorbonne, reconhecido sobretudo como um arguto pensador das relações entre sociedade, teatro e poder público. Sua palestra, intitulada O Teatro Hoje, não será o único espaço de reflexão. A psicanalista Viviane Mosé e o cosmólogo Mario Novello vão falar sobre a percepção contemporânea do tempo e artistas como Fernando Eiras falam sobre arte. Belos espetáculos como os chilenos "Neva" e "Deciembre" já são garantia para a programação de abril. Acompanhe todas as etapas no site www.tempofestival.com.br. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Destaques

Hoje - Mostra Teatro Antunes Filho: 13 h - "Macunaíma 1"; 15 h - "Macunaíma 2"; 21h30 - "Coletivo Improviso". Direção de Enrique Diaz

Amanhã 13 h - "Toda Nudez Será Castigada"; 14h10 - "A Falecida"; 15h30 - "Senhora dos Afogados".

Sexta 13 h - "Vereda da Salvação"; 14h30 - "Drácula e Outros Vampiros"; 16 h - "Foi Carmem"; 19 h - Emmanoel Wallon - O Teatro Hoje.

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